A CONSTRUÇÃO DO SUBJETIVO FEMININO
Dados do documento
Resumo
Este artigo analisa a construção do subjetivo feminino a partir de O Riso da Medusa (1975), de Hélène Cixous, em diálogo com referenciais psicanalíticos de Freud e Lacan e com a crítica feminista contemporânea. Considerando que a história da mulher foi marcada pelo silenciamento e pela lógica falocêntrica, investigamos como a escrita feminina pode atuar como resistência, criação e reinscrição simbólica. A metodologia adotada foi a pesquisa teórica em Psicanálise, compreendendo o texto literário como espaço de emergência do Inconsciente e de produção de subjetividade. A análise foi organizada em três eixos: (1) o falo e a subversão na leitura psicanalítica do feminino; (2) a escrita feminina como resistência e produção de subjetividade; e (3) a subjetividade feminina na contemporaneidade em articulação com a teoria psicanalítica e a crítica feminista. Constatou-se que, embora a Psicanálise tenha elucidado aspectos da constituição psíquica, seu viés falocêntrico limitou o lugar do feminino. Em resposta, Cixous propõe a écriture féminine como gesto criativo e político, capaz de romper modelos normativos e ampliar possibilidades da subjetividade.