A OCORRÊNCIA E FATORES DE RISCO DOMICILIARES PARA QUEDAS EM IDOSOS PERTENCENTES A UMA ESTRATÉGIA SAÚDE DA FAMÍLIA.
Dados do documento
Resumo
As quedas representam um grave problema de saúde pública com implicações diretas para a qualidade de vida e o bem-estar da população idosa. Elas têm elevado custo econômico e social e podem decorrer de um ou diversos fatores associados às alterações fisiológicas inerentes ao processo de envelhecimento, além das condições ambientais. Este trabalho teve por objetivo descrever a ocorrência e os riscos domiciliares para quedas que envolvem o idoso na Estratégia Saúde da Família. Trata-se de um estudo observacional transversal. Participaram do estudo 188 idosos do conjunto habitacional Planalto Uruguai, no Bairro Vale Quem Tem, em Teresina-PI. Os dados foram coletados utilizando um formulário sobre aspectos sociodemográficos e características das quedas sofridas, a Escala de Equilíbrio de Berg (EEB), o Timed Up and Go (TUG) test e um checklist sobre fatores de risco domiciliares para quedas. Os resultados obtidos demonstraram o predomínio de idosos do sexo feminino (66%); na faixa etária de 60 e 70 anos (54,3%); casados (53,7%) e residindo com filhos somente (38,8%). Dentre os fatores de risco domiciliares mais encontrados podem ser citados o piso escorregadio (70,7%) e níveis diferentes no chão do banheiro (64,9%). Dos participantes, 49,5% sofreram queda no último ano; 78,2% não apresentam risco de quedas de acordo com a EEB, enquanto 71,3% apresentam médio risco de quedas, segundo TUG test. Foram encontradas relações estatisticamente significativas (p<0,05) entre sexo, faixa etária, estado civil e a EEB, bem como entre sexo e faixa etária e o TUG test. Quanto aos fatores de risco domiciliares, verificou-se associações com significância entre pisos descolados, fios elétricos no chão, cadeira favorita imprópria, calçados ou objetos no chão e níveis diferentes no chão do banheiro e a EEB e entre chão escorregadio e calçados ou outros objetos no chão e o TUG test, todas com p<0.05. A pesquisa evidenciou uma elevada prevalência de quedas na população estudada, demonstrando que a faixa etária acima de 80 anos e o sexo feminino são os que apresentam maior risco. Somente 18,3% dos participantes sofreram consequência mais severa, no caso a fratura, que pode resultar em complicações graves à saúde do idoso, inclusive levando-o a morte. É necessário, portanto, que políticas públicas efetivas para prevenção de quedas sejam implementadas junto à população, orientando sobre fatores de risco, tanto fisiológicos como domiciliares, a fim de evitar esse tipo de acidente e suas reincidências. Deste modo, as seqüelas, que repercutem de forma negativa, principalmente na capacidade funcional do idoso, serão minimizadas, aumentando, assim, a qualidade de vida dos que envelhecem.