A VIOLÊNCIA OBSTÉTRICA NA PERCEPÇÃO DE GESTANTES
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Resumo
A violência obstétrica constitui-se, segundo o Ministério da Saúde, como toda e qualquer agressão física, psicológica, verbal, simbólica e/ou sexual, incluindo ainda, ações de negligência, discriminação e/ou condutas excessivas ou desnecessárias ou desaconselhadas, muitas vezes prejudiciais, sem embasamento em evidências científicas, que acometem no momento da gestação, parto, nascimento, pós-parto e no atendimento ao abortamento, sendo um problema relevante na saúde pública nacional. Nesse sentido, este estudo tem por finalidade avaliar a percepção das gestantes acerca da violência obstétrica. Trata-se de um ensaio comunitário, de caráter quali-quantitativo, com uma proposta de intervenção educacional, em uma amostra composta por gestantes cadastradas no pré-natal da Unidade básica de Saúde Mendonça Clark de Parnaíba – PI. O estudo foi dividido em 4 (quatro) encontros durante o mês de março de 2019, nas quais as gestantes foram submetidas a diferentes formas de metodologias ativas de aprendizado, seguidos de aplicação de entrevistas semiestruturadas, antes e depois do processo de intervenção, afim de avaliar o conhecimento acerca da violência obstétrica. A análise subjetiva da entrevista semiestruturada realizada previamente à primeira intervenção, notou-se que 45,45% das gestantes não possuíam conhecimentos prévios acerca da violência obstétrica. Nesse contexto, 18,18% das gestantes relataram terem sido vítimas de violência obstétrica e apenas 01 (uma) gestante sabia quais eram os direitos das vítimas, questionando a qualidade sobre o tema da violência obstétrica na assistência no pré-natal. Após submetidas às intervenções, 50% das gestantes relataram sofrer algum tipo dessas agressões. Observou-se, ainda, que 100% das gestantes compreenderam o contexto da pesquisa e da violência obstétrica e todas as participantes relataram que se sentiram orientadas sobre violência obstétrica, comprovando que as intervenções baseadas em metodologias ativas foram eficazes no processo de ensino aprendizagem. As análises das entrevistas foram baseadas no método de estudo de Bardin. Este estudo evidenciou que o conhecimento das gestantes acerca da violência obstétrica ainda é escasso e que muitas destas ações não são compreendidas pelas usuárias como violentas, tornando as pacientes vulneráveis a tais situações. Em contrapartida, constatou-se o impacto positivo das metodologias ativas no aprendizado das participantes, facilitando o conhecimento sobre o tema e contribuindo no processo do autocuidado.