ACESSIBILIDADE COMUNICACIONAL NO PODERJUDICIÁRIO: DESAFIOS ENFRENTADOS POR SURDOS NO ATENDIMENTO JURISDICIONAL
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Resumo
O presente trabalho tem como objeto de estudo a acessibilidade comunicacional no Poder
Judiciário brasileiro, com ênfase nos desafios enfrentados pela comunidade surda no exercício
do direito fundamental de acesso à justiça. Apesar de avanços legislativos expressivos, como a
Lei nº 10.436/2002, que reconhece a Língua Brasileira de Sinais, libras como meio legal de
comunicação, o Decreto nº 5.626/2005, que regulamenta sua difusão, e a Lei Brasileira de
Inclusão da Pessoa com Deficiência (Lei nº 13.146/2015), que garante direitos à plena
participação socia. Verifica-se que a realidade ainda se mostra marcada por barreiras
comunicacionais e estruturaiscomo a ausência de intérpretes de Libras em número insuficiente,
a carência de formação específica de profissionais do direito e a pouca utilização de recursos
tecnológicos assistivos que resultam em um Judiciário que não assegura plenamente a igualdade
de condições processuais entre pessoas ouvintes e pessoas surdas. Essas limitações
comprometem não apenas a concretização da isonomia, mas também a efetividade do
contraditório, da ampla defesa e da dignidade da pessoa humana, princípios constitucionais
indispensáveis para a consolidação do Estado Democrático de Direito. O estudo justifica-se pela
necessidade de evidenciar a lacuna existente entre o marco normativo e a realidade prática,
ressaltando que a comunicação acessível é condição indispensável para o exercício da cidadania
e para a construção de um sistema judicial verdadeiramente inclusivo. Nesse contexto, é
pretendido não apenas analisar as barreiras comunicacionais enfrentadas, mas também refletir
sobre experiências exitosas já implementadas em alguns tribunais, como programas de
capacitação em Libras e o uso de tecnologias assistivas. Aopropor a ampliação dessas práticas
e a formulação de políticas públicas eficazes, o trabalho busca contribuir para a efetivação da
inclusão da comunidade surda no sistema de justiça, reconhecendo sua identidade linguística e
cultural e promovendo um Judiciário mais democrático, equitativo e acessível.