TCC2025

ACESSIBILIDADE COMUNICACIONAL NO PODERJUDICIÁRIO: DESAFIOS ENFRENTADOS POR SURDOS NO ATENDIMENTO JURISDICIONAL

Dados do documento

Autor(es)
Anna Priscila Brandão Amaral; Ester Straatmann Duailibe; Maria Eduarda dos Santos Pascoal
Orientador(es)
Clessivane do Socorro Silva do Nascimento
Tipo do documento
TCC
Ano de publicação
2025
Data de publicação
18 de janeiro de 2026
Nome do curso
Direito
Nome da Unidade
Afya Parnaíba
Palavras-chave
Acessibilidade Comunicacional. Poder Judiciário. Comunidade Surda. Libras. Direitos Fundamentais. Inclusão Social.

Resumo

O presente trabalho tem como objeto de estudo a acessibilidade comunicacional no Poder

Judiciário brasileiro, com ênfase nos desafios enfrentados pela comunidade surda no exercício

do direito fundamental de acesso à justiça. Apesar de avanços legislativos expressivos, como a

Lei nº 10.436/2002, que reconhece a Língua Brasileira de Sinais, libras como meio legal de

comunicação, o Decreto nº 5.626/2005, que regulamenta sua difusão, e a Lei Brasileira de

Inclusão da Pessoa com Deficiência (Lei nº 13.146/2015), que garante direitos à plena

participação socia. Verifica-se que a realidade ainda se mostra marcada por barreiras

comunicacionais e estruturaiscomo a ausência de intérpretes de Libras em número insuficiente,

a carência de formação específica de profissionais do direito e a pouca utilização de recursos

tecnológicos assistivos que resultam em um Judiciário que não assegura plenamente a igualdade

de condições processuais entre pessoas ouvintes e pessoas surdas. Essas limitações

comprometem não apenas a concretização da isonomia, mas também a efetividade do

contraditório, da ampla defesa e da dignidade da pessoa humana, princípios constitucionais

indispensáveis para a consolidação do Estado Democrático de Direito. O estudo justifica-se pela

necessidade de evidenciar a lacuna existente entre o marco normativo e a realidade prática,

ressaltando que a comunicação acessível é condição indispensável para o exercício da cidadania

e para a construção de um sistema judicial verdadeiramente inclusivo. Nesse contexto, é

pretendido não apenas analisar as barreiras comunicacionais enfrentadas, mas também refletir

sobre experiências exitosas já implementadas em alguns tribunais, como programas de

capacitação em Libras e o uso de tecnologias assistivas. Aopropor a ampliação dessas práticas

e a formulação de políticas públicas eficazes, o trabalho busca contribuir para a efetivação da

inclusão da comunidade surda no sistema de justiça, reconhecendo sua identidade linguística e

cultural e promovendo um Judiciário mais democrático, equitativo e acessível.