AIDS E VELHICES: CONSTRUÇÕES IDENTITÁRIAS E POLÍTICAS PÚBLICAS NO COTIDIANO DO ENVELHECER COM AIDS.
Dados do documento
Resumo
O envelhecimento toma corpo entre nós em um ritmo bastante acelerado, acarretando novas demandas para as políticas públicas no sentido de romper com as idéias negativas comumente atreladas a esse processo que impedem a visualização dos velhos e velhas como seres capazes de manter a vivência da sua sexualidade, o que os expõe a doenças sexualmente transmissíveis, principalmente a Aids, que aumenta de forma considerável entre a população idosa. Esse cenário constitui-se como uma sobreposição de estigmas, que sinalizam uma morte em vida, pois do mesmo modo que o imaginário social é habitado por imagens que identificam a velhice com doenças e, conseqüentemente, com a morte, a AIDS também surge, nesse mesmo ideário, como sinônimo de morte, existindo, neste caso, uma dupla contaminação. Dentro desse contexto elegeu-se como objetivo maior desta pesquisa compreender como os idosos e as idosas com HIV/Aids constroem suas identidades, a partir da apreensão dos sentidos produzidos no cotidiano do envelhecer com essa enfermidade em Teresina-PI. Por meio de uma abordagem qualitativa, trabalhamos com nove idosos e idosas que residem em casas de apoio para pessoas vivendo com HIV/Aids, utilizando a entrevista temática e a história de vida como instrumentos metodológicos, das quais emergiram duas categorias centrais: O diagnóstico HIV positivo como um divisor de águas, capaz de conduzir os velhos e as velhas a uma nova realidade, a um novo indivíduo, a novas identidades e a VHIVência do estigma, da discriminação e do preconceito, principalmente no âmbito familiar, geradores de isolamento, solidão e sofrimento. Ressalta-se que a análise final aqui construída é fruto de um momento, de um encontro e de um recorte feito na trajetória de vida de velhos e velhas anônimos que vivem com Aids dentro de um contexto de iniqüidade social e, conseqüentemente, de ausência de cidadania, não podendo ser creditada como incontestável e definitiva, mas que se mostra útil à medida que pode contribuir para a elaboração e implementação de ações que primem pela participação ativa dessas pessoas em uma perspectiva de diminuir a sua vulnerabilidade em relação ao sofrimento imposto pela vivência de uma doença estigmatizante.