Dissertações2021

AIDS E VELHICES: CONSTRUÇÕES IDENTITÁRIAS E POLÍTICAS PÚBLICAS NO COTIDIANO DO ENVELHECER COM AIDS.

Dados do documento

Autor(es)
Susane de Fátima Ferreira de Castro
Orientador(es)
Francisco de Oliveira Barros Júnior
Tipo do documento
Dissertações
Ano de publicação
2021
Data de publicação
15 de junho de 2021
Nome do curso
Mestrado
Nome da Unidade
Afya Teresina
Palavras-chave
Envelhecimento. Sexualidade. Estigma. Políticas Públicas. Aids. Identidade.

Resumo

O envelhecimento toma corpo entre nós em um ritmo bastante acelerado, acarretando novas demandas para as políticas públicas no sentido de romper com as idéias negativas comumente atreladas a esse processo que impedem a visualização dos velhos e velhas como seres capazes de manter a vivência da sua sexualidade, o que os expõe a doenças sexualmente transmissíveis, principalmente a Aids, que aumenta de forma considerável entre a população idosa. Esse cenário constitui-se como uma sobreposição de estigmas, que sinalizam uma morte em vida, pois do mesmo modo que o imaginário social é habitado por imagens que identificam a velhice com doenças e, conseqüentemente, com a morte, a AIDS também surge, nesse mesmo ideário, como sinônimo de morte, existindo, neste caso, uma dupla contaminação. Dentro desse contexto elegeu-se como objetivo maior desta pesquisa compreender como os idosos e as idosas com HIV/Aids constroem suas identidades, a partir da apreensão dos sentidos produzidos no cotidiano do envelhecer com essa enfermidade em Teresina-PI. Por meio de uma abordagem qualitativa, trabalhamos com nove idosos e idosas que residem em casas de apoio para pessoas vivendo com HIV/Aids, utilizando a entrevista temática e a história de vida como instrumentos metodológicos, das quais emergiram duas categorias centrais: O diagnóstico HIV positivo como um divisor de águas, capaz de conduzir os velhos e as velhas a uma nova realidade, a um novo indivíduo, a novas identidades e a VHIVência do estigma, da discriminação e do preconceito, principalmente no âmbito familiar, geradores de isolamento, solidão e sofrimento. Ressalta-se que a análise final aqui construída é fruto de um momento, de um encontro e de um recorte feito na trajetória de vida de velhos e velhas anônimos que vivem com Aids dentro de um contexto de iniqüidade social e, conseqüentemente, de ausência de cidadania, não podendo ser creditada como incontestável e definitiva, mas que se mostra útil à medida que pode contribuir para a elaboração e implementação de ações que primem pela participação ativa dessas pessoas em uma perspectiva de diminuir a sua vulnerabilidade em relação ao sofrimento imposto pela vivência de uma doença estigmatizante.