ALTERAÇÕES NEUROENDÓCRINAS E REPERCUSSÕES NO SISTEMA NERVOSO CENTRAL NA SÍNDROME DE CUSHING: UMA REVISÃO INTEGRATIVA
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Resumo
A Síndrome de Cushing corresponde ao conjunto de manifestações clínicas decorrentes da exposição crônica ao excesso de cortisol, enquanto a Doença de Cushing representa uma etiologia específica da síndrome, caracterizada por hipercortisolismo ACTH-dependente secundário a adenoma hipofisário produtor de ACTH. Essa distinção conceitual é essencial para interpretar adequadamente as repercussões sistêmicas, neurológicas e psiquiátricas do hipercortisolismo. O presente estudo teve como objetivo descrever as alterações neuroendócrinas e suas repercussões sobre o sistema nervoso central associadas à Síndrome de Cushing, com ênfase na Doença de Cushing quando os estudos avaliavam especificamente pacientes com adenoma corticotrófico. Trata-se de uma revisão integrativa da literatura, desenvolvida com base nas diretrizes PRISMA e na estratégia PICo, com artigos indexados nas bases de dados PubMed e na Biblioteca Virtual em Saúde, publicados entre 2020 e 2026. Foram incluídos estudos que abordassem hipercortisolismo endógeno, alterações cerebrais, manifestações cognitivas, sintomas psiquiátricos, diagnóstico ou tratamento relacionados à Síndrome de Cushing e/ou à Doença de Cushing. Os resultados demonstraram associação entre hipercortisolismo crônico e déficits de memória, atenção, função executiva, humor e qualidade de vida, além de alterações estruturais e funcionais, como redução do volume hipocampal, atrofia cortical, alterações na substância branca e mudanças na conectividade cerebral. Parte dessas alterações pode persistir mesmo após o tratamento e a remissão bioquímica. Conclui-se que a Síndrome de Cushing, especialmente em sua forma hipofisária, exerce impacto relevante sobre o sistema nervoso central, exigindo diagnóstico precoce, controle hormonal adequado e acompanhamento multidisciplinar.