ANÁLISE COMPARATIVA DAS ALTERAÇÕES HEMATOLÓGICAS CAUSADAS POR DIFERENTES INFECÇÕES VIRAIS
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Resumo
Introdução: A medula óssea é responsável pela produção das células sanguíneas. Entretanto, diversos vírus podem interferir nesse processo por mecanismos distintos. Nesse contexto, o presente trabalho tem como objetivo realizar uma revisão integrativa da literatura acerca das alterações hematológicas induzidas por infecções virais. Metodologia: Os artigos foram selecionados nas bases de dados Google Acadêmico, PubMed, SciELO e Portal de Periódicos CAPES. A busca foi conduzida por meio de descritores e filtros específicos de cada base, sendo complementada por uma segunda etapa com o uso de prompts em inteligência artificial para identificar estudos alinhados ao escopo proposto. Após a aplicação dos critérios de exclusão, 58 artigos compuseram a amostra final. Resultados e discussão: Alguns vírus, como B19V, CMV, HIV e HTLV-1, podem atuar diretamente na medula óssea ao infectar células como linfócitos T CD4+ e células-tronco hematopoéticas, levando à sua destruição ou à permanência do vírus em estado latente no ambiente medular. Vírus de ação indireta, como EBV, HBV, HCV e HHV-6, afetam a função da medula principalmente por meio da inflamação sistêmica, na qual a liberação de citocinas altera o microambiente medular. Em processos inflamatórios crônicos, observa-se aumento da apoptose de células hematopoéticas. Além disso, alguns vírus podem desencadear doenças hematológicas autoimunes, como observado em infecções por SARS-CoV-2. Certas infecções virais também são capazes de estabelecer latência em linfócitos B, induzir citopenias por mecanismos autoimunes e ocasionar quadros de pancitopenia, neutropenia ou supressão medular, especialmente em indivíduos imunossuprimidos ou transplantados. Conclusão: As repercussões das infecções virais sobre a medula óssea são variadas, abrangendo desde citopenias transitórias e anemia até quadros graves de falência medular. A gravidade do dano depende tanto das características do agente viral quanto do estado imunológico do hospedeiro. A compreensão desses mecanismos é essencial para o diagnóstico precoce, o manejo adequado e a prevenção de complicações hematológicas associadas às infecções virais.