ANÁLISE DA AVALIAÇÃO DA MOBILIDADE FUNCIONAL EM PACIENTES CRÍTICOS: UM ESTUDO NA UNIDADE DE TERAPIA INTENSIVA
Dados do documento
Resumo
Objetivo: Este presente estudo teve como objetivo analisar a percepção de fisioterapeutas intensivistas sobre a avaliação da mobilidade funcional em pacientes críticos sob a ótica da análise de conteúdo de Laurence Bardin. Metodologia: Este é um estudo descritivo, de natureza qualitativa, realizado com 10 fisioterapeutas atuantes na Unidade de Terapia Intensiva da AMI (Unidade de Assistência Médica Intensiva) localizado na cidade de Porto Velho, Rondônia. Os dados foram coletados através de numa mini-entrevista semiestruturada e submetida às três etapas da análise de Bardin: pré-análise, exploração do material e tratamento dos resultados (inferência). Resultados: A categorização revelou que a estabilidade hemodinâmica e o nível de consciência são os critérios de elegibilidade predominantes para iniciar a avaliação da mobilidade em pacientes críticos, com o uso frequente das escalas MRC e Glasgow. Identificou-se que a sobrecarga de trabalho (déficit de recursos humanos) e a falta de integração multidisciplinar constituem as principais barreiras para a sistematização da mobilidade precoce. A análise evidenciou que a mobilização ainda é percebida como uma tarefa isolada da fisioterapia, enfrentando resistências culturais na rotina da unidade. Conclusão: Os resultados evidenciam que, embora haja fundamentação técnica, a avaliação da mobilidade funcional na UTI da AMI é assistemática, limitada por entraves organizacionais como sobrecarga de trabalho (70%) e fragmentação interdisciplinar (60%). Conclui-se que a superação desse cenário requer a valorização da identidade profissional por meio da incorporação da Classificação Brasileira de Diagnósticos Fisioterapêuticos (CBDF) e a implementação de estratégias clínicas resolutivas, como a inserção de um checklist diário de elegibilidade funcional nos rounds multiprofissionais, transformando a promoção da funcionalidade em uma meta assistencial coletiva e segura.