ANÁLISE DA CORRELAÇÃO ENTRE O CONSUMO DE ANTIBIÓTICOS E A OCORRÊNCIA DE INFECÇÕES BACTERIANAS RESISTENTES NO SISTEMA ÚNICO DE SAÚDE
Dados do documento
Resumo
A resistência bacteriana aos antibióticos constitui um dos principais desafios para os sistemas de saúde em nível global, sendo fortemente influenciada pelo uso excessivo ou inadequado desses medicamentos. Nesse contexto, o presente estudo teve como objetivo analisar a correlação entre o consumo de antibióticos e a ocorrência de infecções bacterianas resistentes no Sistema Único de Saúde (SUS), por meio de análise de séries temporais utilizando dados secundários provenientes do Departamento de Informática do SUS (DATASUS) e relatórios da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA), no período de 2014 a 2024. Trata-se de um estudo ecológico, descritivo e analítico, com abordagem quantitativa. Os resultados indicaram que, no âmbito comunitário, os antibióticos mais consumidos foram a amoxicilina e a azitromicina, enquanto no ambiente hospitalar destacaram-se antimicrobianos de amplo espectro, como piperacilina/tazobactam, meropenem e polimixina B. Observou-se também aumento progressivo de indicadores de resistência bacteriana, especialmente entre patógenos como Pseudomonas aeruginosa, Klebsiella pneumoniae e Staphylococcus aureus resistente à meticilina (MRSA). A análise temporal demonstrou associação entre períodos de maior consumo de antibióticos e aumento na ocorrência de microrganismos resistentes. Esses achados reforçam a importância de estratégias de vigilância epidemiológica, uso racional de antimicrobianos e fortalecimento de programas de stewardship antimicrobiano no sistema público de saúde, visando reduzir o impacto da resistência bacteriana e melhorar os desfechos clínicos das infecções.