ANÁLISE DA MORBIDADE POR HPV ANTES E APÓS IMPLEMENTAÇÃO DA VACINAÇÃO NO BRASIL: UM ESTUDO EPIDEMIOLÓGICO
Dados do documento
Resumo
INTRODUÇÃO: As infecções genitais por papilomavírus humano (HPV) são transmitidas, principalmente, por relações sexuais desprotegidas. Em mulheres, relaciona-se ao câncer de colo de útero (CCU) – quarto tipo de câncer mais comum nesse público. Desde 2014, o Programa Nacional de Imunização implantou a vacina quadrivalente contra o HPV, tendo como público-alvo, atualmente, meninos e meninas de 9 e 14 anos e pessoas de 9 a 45 anos com condições clínicas especiais. OBJETIVO: Analisar o comportamento da morbidade por HPV antes e após o início da vacinação no Brasil. METODOLOGIA: Este estudo é do tipo observacional, descritivo, analítico, retrospectivo e de abordagem quantitativa, com coleta de dados no Departamento de Informática do Sistema Único de Saúde. Coletou-se o número de casos de CCU no Brasil e nas regiões nos períodos pré e pós-vacinação, bem como as doses de vacinas contra HPV aplicadas e os valores gastos com a patologia. RESULTADOS: No período pré-vacinal, a taxa de morbidade do Brasil e das regiões Norte, Nordeste, Centro-Oeste, Sul e Sudeste foram, respectivamente, 88/100.000 habitantes, 56,9/100.000, 86,6/100.000, 88,2/100.000, 133,4/100.000 e 79,5/100.000, enquanto no período pós-vacinal foram 80,2/100.000, 71,7/100.000, 77,6/100.000, 83,6/100.000, 106,4/100.000 e 74,2/100.000, respectivamente. DISCUSSÃO: Dados da pesquisa revelaram que a taxa de morbidade por CCU no período pré e pós-vacinal é bem variável, ocorrendo aumento na região Norte e diminuição no Brasil e demais regiões. Observou-se, ainda, que a região Sul ultrapassa de forma acentuada o padrão da média de morbidade nacional, ao passo que no intervalo analisado essa taxa diminui em aproximadamente 20%. CONCLUSÃO: Observou-se redução da prevalência de morbidade por HPV no Brasil, sugerindo que as estratégias de prevenção, como a vacina, têm gerado um impacto positivo ao longo dos anos. Entretanto, divergindo das demais regiões, a taxa de morbidade da região Norte aumentou no período pós-vacinal, mesmo apresentando a maior cobertura vacinal.