ANÁLISE DO MANEJO DO RISCO DE NEFROPATIA DIABÉTICA NA ATENÇÃO PRIMÁRIA
Dados do documento
Resumo
Introdução: O Diabetes Mellitus (DM) é umas das Doenças Crônicas Não-Transmissíveis mais prevalentes no mundo, estando associada a complicações macro e micro-vasculares e a taxas elevadas de mortalidade. Dentre as complicações microvasculares, destaca-se a Doença Renal do Diabetes (DRD) ou Nefropatia Diabética (ND), principal causa de Doença Renal Crônica (DRC) dialítica nos países desenvolvidos. A fim de se evitar a progressão da DRD, é necessária a adoção de medidas de rastreio e diagnóstico precoce da doença na Atenção Primária (AP), bem como o encaminhamento precoce ao nefrologista. Dessa forma, a assistência médica na AP ao paciente diabético com risco de possuir ou desenvolver DRD é essencial para a prevenção desta complicação. Objetivos: Identificar como é realizado o rastreio dos pacientes diabéticos com fator de risco para DRD pelos médicos na AP; Descrever o seguimento desses pacientes e analisar se o mesmo está de acordo com as orientações propostas pelo Ministério da Saúde (MS); Elaborar uma cartilha com informações pertinentes à população e aos agentes de saúde abrangendo diagnóstico precoce, sintomas, cuidados para a prevenção e tratamento; Sugerir um modelo de algoritmo para ser inserido no prontuário eletrônico dos pacientes diabéticos atendidosna AP. Métodos: Estudo transversal, descritivo e quantitativo utilizando dados do prontuário eletrônico no sistema e-SUS de pacientes diabéticos da AP de um município. Para a coleta de dados, utilizou-se questionários estruturados validados. Os dados obtidos foram processados na planilha do Microsoft Excel e, posteriormente, no programa IBM SPSS Statistics 20. Para a elaboração da cartilha, fez-se a seleção de fontes bibliográficas do MS sobre o tema. Posteriormente, seguiu-se a elaboração dos textos e montagem da cartilha com atenção especial a linguagem, layout e ilustrações. Para a elaboração do modelo de algoritmo, utilizou-se o protocolo do MS e transformou-se as orientações em uma janela para preenchimento no prontuário eletrônico. Resultados: Utilizou-se de 216 prontuários de pacientes diabéticos. Destes, a maioria possuía DM tipo 2 e hipertensão arterial (HAS) como principal co-morbidade (64,20%). Dos exames solicitados nos últimos 12 meses, a creatinina esteve presente em 31,94% dos prontuários, enquanto só havia registro de microalbuminuria isolada e albuminuria de 24 horas em 1,3% e 0,9%,respectivamente. O alvo da hemoglobina glicosilada (hba1c) <7% só foi atingido em 5,09% dos pacientes, porém, não havia qualquer registro de valores de hba1c na maioria dos prontuários (86,11%). O controle pressórico de até 130/80mmhg foi atingido em 45,83% dos pacientes. Orientação dietética constava em 2,78% dos prontuários, enquanto outras medidas não-farmacológicas não constaram em nenhum. Apenas 1,38% dos pacientes foi encaminhado ao nefrologista, sendo que nenhum deles apresentava indicação formal para encaminhamento. Não foi possível a associação entre o acompanhamento com o especialista e progressão da nefropatia, devido ao baixo número de pacientes encaminhados. Conclusão: Diante dos resultados, faz-se necessário ações voltadas para melhorar a assistência dos profissionais médicos da AP aos pacientes com risco de DRD, bem como promover medidas de educação em saúde e auto-cuidado à população. Foi elaborada uma cartilha abordando orientações aos pacientes diabéticos e um modelo de algoritmo no prontuário de orientação ao médico.