ANÁLISE DO USO DE FOTOPROTEÇÃO EM GRUPO DE RISCO LABORAL PARA O CÂNCER DE PELE.
Dados do documento
Resumo
A incidência do câncer de pele tem aumentado mundialmente, em particular as taxas de melanoma, com aumento médio de 2,6% por ano nos últimos dez anos. O consenso existente na relação da exposição prolongada e crônica ao sol no surgimento dessas neoplasias faz com que várias ocupações com atividades expostas à radiação solar, entre elas os agentes comunitários de saúde, formem um grupo de risco para o desenvolvimento do câncer cutâneo. Esse trabalho teve como objetivo analisar a prevalência e os fatores associados ao uso de protetor solar em grupo de risco laboral para o câncer de pele. Trata-se de um estudo transversal com agentes comunitários de saúde da Estratégia de Saúde da Família de Teresina - Piauí selecionados por amostragem sistemática aleatória sem reposição. Após coleta dos dados por meio de entrevista semi-estruturada, realizou-se análise descritiva para as variáveis qualitativas, análise bivariada na verificação da associação entre o uso de fotoprotetor e as variáveis sociodemográficas, ocupacionais e conhecimento sobre a pele e, análise multivariada para verificar as variáveis independentes associadas ao uso de fotoprotetor. Foi utilizado o nível de significância de 5%. Dos 261 agentes de saúde selecionados, 243 completaram o estudo. O grupo estudado foi constituído em 70% por agentes de saúde do sexo feminino, com média de 40,1 anos e a grande maioria possuía pelo menos o ensino médio (96,7%). A prevalência do uso de protetor solar nesses indivíduos foi de 34,2% (IC95%: 28,2-40,2). Considerando que o Consenso Brasileiro de Fotoproteção preconiza o uso de fotoprotetor por todas as pessoas expostas ao sol em especial aos grupos de risco, observou-se que a prevalência encontrada foi baixa. Percebe-se que, de modo geral, essa prevalência aumenta quando há exposição intencional à radiação solar, com 69,5% dos agentes comunitários de saúde revelarem fazer uso de fotoproteção na praia/piscina. Os fatores associados ao uso da fotoproteção foram sexo feminino, faixa etária elevada, uso de protetor solar em situações que a pele ficou ardida, conhecimento dos efeitos negativos do sol sobre a pele e antecedentes de câncer de pele. Os grupos laborais expostos à radiação solar frequente deveriam apresentar uma prevalência maior do uso de fotoproteção em relação a população geral. A prevalência encontrada revela a necessidade na implementação de estratégias de educação em saúde em relação a fotoproteção. Como uma dessas estratégias, cartilhas de orientação sobre o uso adequado de protetor solar foi desenvolvida.