Dissertações2020

ANÁLISE DOS ÓBITOS FETAIS OCORRIDOS EM UMA MATERNIDADE DE REFERÊNCIA

Dados do documento

Autor(es)
Mírian Borges Fortes Couto
Orientador(es)
Carmen Viana Ramos
Tipo do documento
Dissertações
Ano de publicação
2020
Data de publicação
06 de junho de 2020
Nome do curso
Mestrado
Nome da Unidade
Afya Teresina
Palavras-chave
Causas de morte. Atenção Primária à Saúde. Óbito fetal. Assistência pré-natal. Assistência ao parto.

Resumo

Introdução: A morte fetal no Brasil é considerada um grave problema de saúde pública. Os estudos mostram que o número de óbitos fetais por causas evitáveis no Brasil ainda é alto. Objetivos: Analisar os óbitos fetais, segundo características sócio-demográficas, clínicas e critérios de evitabilidade, ocorridos em uma maternidade de referência; Descrever o perfil clínico-obstétrico e epidemiológico dos óbitos fetais ocorridos na Maternidade; Verificar as principais causas de óbito fetal segundo o Código Internacional de Doenças (CID-10) e classificá-los conforme os critérios de evitabilidade; Descrever a tendência da mortalidade fetal nesta maternidade entre janeiro de 2014 a janeiro de 2017; Elaborar um vídeo destinado as gestantes ressaltando a importância de um pré-natal de qualidade na redução dos riscos de óbitos fetais. Métodos: Estudo retrospectivo dos casos de óbitos fetais ocorridos em maternidade referência para o alto risco, no período de 2014 a 2017. Elaborou-se uma planilha no Excel 2010, com todas as variáveis contidas na ficha de investigação de óbitos fetais. Realizaram-se análises descritivas e classificaram-se as causas dos óbitos, conforme critério de evitabilidade, por faixa de peso (1500g-2500g; >2500g). Resultados: Ocorreram 1029 óbitos no período estudado. A taxa de mortalidade fetal foi de 25,1/1000 nascidos vivos (NV) em 2013 e 26,1/1000 NV em 2017. Quanto a idade materna, 39,9% tinham entre 20 a 40 anos e 39,9% possuíam mais 8 anos de estudo. As patologias/ fatores de risco mais citados durante a gravidez foram: hipertensão arterial/DHEG (33,1%), hemorragia/ DPP/ placenta prévia (31,1%) e infecção urinária (20,1%). Com relação a condição da mãe, no momento da internação, 38,4% apresentavam amniorrexe prematura sem trabalho de parto, 9,7% pré-eclampsia grave e 9,1% apresentaram descolamento prematuro da placenta. As principais intercorrências durante o parto foram: eclampsia / hipertensão (25,6%), hemorragia (20,2%). Dos 570 óbitos fetais (acima de 1500g) analisados conforme o critério de evitabilidade, 84,9% ocorreram por causas evitáveis, 4,9% por causas não claramente evitáveis e 10,2% por causas mal definidas. As principais causas dos óbitos fetais evitáveis (n=484) estudadas foram classificadas como: reduzíveis por adequada atenção à mulher na gestação (56,6%) e adequada atenção à mulher no parto (36,4%) e adequada atenção ao recém-nascido (7,0%). Conclusão: os achados revelam uma proporção alta de óbitos fetais que poderiam ser evitados com ações voltadas a melhoria na qualidade da assistência ao pré-natal e ao parto. Foi elaborado um vídeo educativo sobre a importância da assistência durante o pré-natal na redução do risco de óbitos fetais.