ANÁLISE DOS ÓBITOS FETAIS OCORRIDOS EM UMA MATERNIDADE DE REFERÊNCIA
Dados do documento
Resumo
Introdução: A morte fetal no Brasil é considerada um grave problema de saúde pública. Os estudos mostram que o número de óbitos fetais por causas evitáveis no Brasil ainda é alto. Objetivos: Analisar os óbitos fetais, segundo características sócio-demográficas, clínicas e critérios de evitabilidade, ocorridos em uma maternidade de referência; Descrever o perfil clínico-obstétrico e epidemiológico dos óbitos fetais ocorridos na Maternidade; Verificar as principais causas de óbito fetal segundo o Código Internacional de Doenças (CID-10) e classificá-los conforme os critérios de evitabilidade; Descrever a tendência da mortalidade fetal nesta maternidade entre janeiro de 2014 a janeiro de 2017; Elaborar um vídeo destinado as gestantes ressaltando a importância de um pré-natal de qualidade na redução dos riscos de óbitos fetais. Métodos: Estudo retrospectivo dos casos de óbitos fetais ocorridos em maternidade referência para o alto risco, no período de 2014 a 2017. Elaborou-se uma planilha no Excel 2010, com todas as variáveis contidas na ficha de investigação de óbitos fetais. Realizaram-se análises descritivas e classificaram-se as causas dos óbitos, conforme critério de evitabilidade, por faixa de peso (1500g-2500g; >2500g). Resultados: Ocorreram 1029 óbitos no período estudado. A taxa de mortalidade fetal foi de 25,1/1000 nascidos vivos (NV) em 2013 e 26,1/1000 NV em 2017. Quanto a idade materna, 39,9% tinham entre 20 a 40 anos e 39,9% possuíam mais 8 anos de estudo. As patologias/ fatores de risco mais citados durante a gravidez foram: hipertensão arterial/DHEG (33,1%), hemorragia/ DPP/ placenta prévia (31,1%) e infecção urinária (20,1%). Com relação a condição da mãe, no momento da internação, 38,4% apresentavam amniorrexe prematura sem trabalho de parto, 9,7% pré-eclampsia grave e 9,1% apresentaram descolamento prematuro da placenta. As principais intercorrências durante o parto foram: eclampsia / hipertensão (25,6%), hemorragia (20,2%). Dos 570 óbitos fetais (acima de 1500g) analisados conforme o critério de evitabilidade, 84,9% ocorreram por causas evitáveis, 4,9% por causas não claramente evitáveis e 10,2% por causas mal definidas. As principais causas dos óbitos fetais evitáveis (n=484) estudadas foram classificadas como: reduzíveis por adequada atenção à mulher na gestação (56,6%) e adequada atenção à mulher no parto (36,4%) e adequada atenção ao recém-nascido (7,0%). Conclusão: os achados revelam uma proporção alta de óbitos fetais que poderiam ser evitados com ações voltadas a melhoria na qualidade da assistência ao pré-natal e ao parto. Foi elaborado um vídeo educativo sobre a importância da assistência durante o pré-natal na redução do risco de óbitos fetais.