ASPECTOS CLÍNICOS E PSICOSSOCIAIS DA FERTILIZAÇÃO IN VITRO NO MANEJO DA INFERTILIDADE FEMININA: UMA REVISÃO INTEGRATIVA
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Resumo
A infertilidade feminina é uma condição multifatorial que afeta milhões de mulheres em todo o mundo e representa um importante problema de saúde pública. Nesse contexto, a fertilização in vitro (FIV) consolidou-se como uma das principais técnicas de reprodução assistida utilizadas no manejo da infertilidade, oferecendo novas possibilidades para a concretização da parentalidade. Entretanto, para além dos avanços clínicos e tecnológicos, a FIV envolve importantes implicações emocionais, sociais, éticas e financeiras que impactam diretamente a qualidade de vida e a saúde mental das mulheres. Este estudo teve como objetivo sintetizar as evidências científicas disponíveis acerca dos aspectos clínicos e psicossociais da FIV no manejo da infertilidade feminina. Trata-se de uma revisão integrativa da literatura, conduzida conforme as etapas metodológicas propostas por Souza, Silva e Carvalho (2010). A questão norteadora foi estruturada a partir da estratégia PICo: “Como os aspectos clínicos e psicossociais influenciam a vivência da infertilidade e o processo de fertilização in vitro?”. As buscas foram realizadas nas bases de dados SciELO, PubMed/MEDLINE, Scopus, Web of Science e LILACS, utilizando descritores controlados relacionados à infertilidade feminina, reprodução assistida, fertilização in vitro e aspectos psicossociais. Oito estudos atenderam aos critérios de elegibilidade e compuseram a amostra final. Os achados demonstraram que as taxas de sucesso da FIV estão diretamente relacionadas aos avanços nos protocolos de estimulação ovariana, técnicas laboratoriais e medidas de biossegurança. Contudo, mulheres submetidas ao tratamento frequentemente apresentam ansiedade, sofrimento emocional, medo do fracasso terapêutico e sobrecarga psicossocial intensificada pelas expectativas socioculturais relacionadas à maternidade. Além disso, desigualdades socioeconômicas e limitações no acesso às tecnologias reprodutivas foram identificadas como importantes barreiras para a equidade no cuidado reprodutivo. Conclui-se que a experiência da infertilidade e o tratamento por FIV são fortemente influenciados por fatores clínicos e psicossociais, reforçando a necessidade de uma assistência multiprofissional, humanizada e centrada na paciente, voltada não apenas ao sucesso reprodutivo, mas também à preservação do bem-estar emocional da mulher ao longo de todo o processo terapêutico.