ASPECTOS IMUNOLÓGICOS ASSOCIADOS AO TRANSPLANTE UTERINO: INOVAÇÃO CIRÚRGICA NO TRATAMENTO DA INFERTILIDADE DO FATOR UTERINO
Dados do documento
Resumo
Infertilidade de fator uterino absoluto (AUFI) refere-se a mulheres que são incapazes de conceber ou
manter a gravidez devido à ausência do útero ou à presença de um útero anatômica ou fisiologicamente
disfuncional. Novas estratégias têm sido buscadas nas últimas décadas para solucionar esse problema,
como o transplante uterino. No entanto, pouco se sabe sobre a imunogenicidade uterina e há poucos dados
sobre a resposta imunológica a tecido uterino transplantado. Assim, este estudo teve como objetivo
demonstrar como a resposta imune do organismo ao transplante uterino pode ocorrer por meio de uma
revisão da literatura. Para tanto, foi realizada uma busca nas bases de dados SciELO, LILACS,
PubMed/MEDLINE e Science Direct. De acordo com os dados obtidos, acredita-se que o útero seja um
órgão imunoprivilegiado em relação à rápida resposta imune exercida pelo organismo, porém as
experiências do transplante uterino alogênico mostraram padrões de rejeição semelhantes aos observados
em outros transplantes de órgãos sólidos. Em geral, a rejeição foi caracterizada por invasão miometrial
por neutrófilos e macrófagos, seguidos por células T (principalmente CD8 +), seguida de necrose, atrofia
e fibrose. Essa resposta tem uma característica única de ser mediada por interações do receptor de células
T (TCR) com moléculas do próprio sistema MHC do doador. Portanto, com este estudo foi possível
compreender como ocorreria a possível resposta imunológica ao transplante uterino, que pode levar ao
processo de rejeição.