Dissertações2013

ASSISTÊNCIA DOS PROFISSIONAIS DE SAÚDE DA ESTRATÉGIA SAÚDE DA FAMÍLIA NA ATENÇÃO À MULHER VÍTIMA DE VIOLÊNCIA.

Dados do documento

Autor(es)
Lorena Baltazar Nunes Villa
Orientador(es)
Camila Aparecida Pinheiro Landim Almeida
Tipo do documento
Dissertações
Ano de publicação
2013
Data de publicação
09 de junho de 2015
Nome do curso
Mestrado
Nome da Unidade
Afya Teresina
Palavras-chave
Estratégia saúde da família. Profissional de Saúde. Violência contra a mulher.

Resumo

O fenômeno da violência contra a mulher é considerado, atualmente, um problema de saúde pública e tem suscitado vários estudos mundialmente. O presente estudo tem como objetivo analisar a assistência dos profissionais de saúde da Estratégia Saúde da Família na atenção à mulher vítima de violência; descrever a relação existente entre a formação do profissional de saúde e as políticas públicas no combate à violência contra a mulher; e, elaborar uma cartilha voltada para os profissionais de saúde contendo estratégias de comunicação com a mulher vítima de violência. Trata-se de um estudo qualitativo, de cunho descritivo e exploratório, realizado com 12 profissionais de saúde que compõem a equipe de três Unidades Básicas de Saúde referentes à zona leste do município de Teresina – PI. A coleta de dados foi realizada por meio de entrevistas semiestruturadas e os dados foram analisados de acordo com a análise de conteúdo temática. Os resultados foram apresentados em cinco categorias, a saber: Formação e capacitação dos profissionais de saúde; Assistência dos profissionais de saúde sobre a violência contra a mulher; Dificuldades na atenção à mulher vítima de violência; Demanda de casos de violência contra a mulher na ESF; e, Políticas públicas no combate à violência contra a mulher. Os resultados apontam para a existência de um sentimento de impotência dos profissionais de saúde diante de casos de violência contra a mulher, para a insatisfação dos mesmos sobre a falta de capacitações e formações sobre o tema, culminando no surgimento de dificuldades referentes à identificação, abordagem e encaminhamento, nos casos de atendimento às mulheres vítimas de violência. No que se refere à atuação dos profissionais sobre o tema, os resultados sugerem a inexistência de atuação voltada, especificamente, para a violência contra a mulher. Do total de entrevistados, apenas 33,3% referiram trabalhos voltados para a temática, como por exemplo, palestras, grupos de risco coletivo e rodas de conversa. Os participantes assinalam como maiores dificuldades para atuar nesse contexto a falta de suporte institucional e de equipe multidisciplinar no quadro funcional, sugerindo como profissionais importantes nas UBS os assistentes sociais e psicólogos. Surgiram, ainda, dificuldades relacionadas ao medo, à insegurança, receio e constrangimento na abordagem à mulher vítima de violência faltando, também, informação a respeito de uma rede articulada para assistência a essas mulheres. Considera-se fundamental que essa temática seja mais explorada, pelo fato desse fenômeno se constituir demanda diária nas instituições de saúde e sua produção científica ainda ser relativamente carente frente ao avanço da mesma no contexto geral da saúde. As capacitações dos profissionais de saúde, dirigidas para a prevenção e assistência à violência, assumem um papel importante no cenário atual, sendo necessário um investimento de forma permanente e que contemple a questão de gênero dentro do contexto da violência e saúde. Vale ressaltar, também, o valor e a contribuição que as universidades podem oferecer nesse sentido, pois o tema da violência e suas expressões culturais poderiam ser introduzidos nos currículos de formação dos profissionais de saúde, familiarizando-os com o tema e criando espaços para sua construção enquanto prática de saúde.