ASSISTÊNCIA DOS PROFISSIONAIS DE SAÚDE DA ESTRATÉGIA SAÚDE DA FAMÍLIA NA ATENÇÃO À MULHER VÍTIMA DE VIOLÊNCIA.
Dados do documento
Resumo
O fenômeno da violência contra a mulher é considerado, atualmente, um problema de saúde pública e tem suscitado vários estudos mundialmente. O presente estudo tem como objetivo analisar a assistência dos profissionais de saúde da Estratégia Saúde da Família na atenção à mulher vítima de violência; descrever a relação existente entre a formação do profissional de saúde e as políticas públicas no combate à violência contra a mulher; e, elaborar uma cartilha voltada para os profissionais de saúde contendo estratégias de comunicação com a mulher vítima de violência. Trata-se de um estudo qualitativo, de cunho descritivo e exploratório, realizado com 12 profissionais de saúde que compõem a equipe de três Unidades Básicas de Saúde referentes à zona leste do município de Teresina – PI. A coleta de dados foi realizada por meio de entrevistas semiestruturadas e os dados foram analisados de acordo com a análise de conteúdo temática. Os resultados foram apresentados em cinco categorias, a saber: Formação e capacitação dos profissionais de saúde; Assistência dos profissionais de saúde sobre a violência contra a mulher; Dificuldades na atenção à mulher vítima de violência; Demanda de casos de violência contra a mulher na ESF; e, Políticas públicas no combate à violência contra a mulher. Os resultados apontam para a existência de um sentimento de impotência dos profissionais de saúde diante de casos de violência contra a mulher, para a insatisfação dos mesmos sobre a falta de capacitações e formações sobre o tema, culminando no surgimento de dificuldades referentes à identificação, abordagem e encaminhamento, nos casos de atendimento às mulheres vítimas de violência. No que se refere à atuação dos profissionais sobre o tema, os resultados sugerem a inexistência de atuação voltada, especificamente, para a violência contra a mulher. Do total de entrevistados, apenas 33,3% referiram trabalhos voltados para a temática, como por exemplo, palestras, grupos de risco coletivo e rodas de conversa. Os participantes assinalam como maiores dificuldades para atuar nesse contexto a falta de suporte institucional e de equipe multidisciplinar no quadro funcional, sugerindo como profissionais importantes nas UBS os assistentes sociais e psicólogos. Surgiram, ainda, dificuldades relacionadas ao medo, à insegurança, receio e constrangimento na abordagem à mulher vítima de violência faltando, também, informação a respeito de uma rede articulada para assistência a essas mulheres. Considera-se fundamental que essa temática seja mais explorada, pelo fato desse fenômeno se constituir demanda diária nas instituições de saúde e sua produção científica ainda ser relativamente carente frente ao avanço da mesma no contexto geral da saúde. As capacitações dos profissionais de saúde, dirigidas para a prevenção e assistência à violência, assumem um papel importante no cenário atual, sendo necessário um investimento de forma permanente e que contemple a questão de gênero dentro do contexto da violência e saúde. Vale ressaltar, também, o valor e a contribuição que as universidades podem oferecer nesse sentido, pois o tema da violência e suas expressões culturais poderiam ser introduzidos nos currículos de formação dos profissionais de saúde, familiarizando-os com o tema e criando espaços para sua construção enquanto prática de saúde.