TCC2025

ASSOCIAÇÃO DA EXPOSIÇÃO EXACERBADA ÁS TELAS E OS ASPECTOS COGNITIVOS NO DESENVOLVIMENTO INFANTIL: UMA REVISÃO DE LITERATURA

Dados do documento

Autor(es)
Isadora Inácio Andrade
Orientador(es)
Luciana de Andrade Agostinho
Tipo do documento
TCC
Ano de publicação
2025
Data de publicação
29 de junho de 2025
Nome do curso
Medicina
Nome da Unidade
Afya Itaperuna

Resumo

A crescente inserção das crianças em ambientes digitais tem levantado preocupações sobre os impactos do uso excessivo de telas no desenvolvimento cognitivo infantil. Este estudo teve como objetivo geral investigar a associação entre a exposição exacerbada às telas e os aspectos cognitivos de crianças de zero a dez anos. Especificamente, buscou-se compreender de que forma o tempo de exposição, o tipo de conteúdo e o contexto de uso dos dispositivos influenciam domínios como linguagem, atenção, memória e funções executivas. Trata-se de uma revisão integrativa da literatura, realizada nas bases PubMed, SciELO e Biblioteca Virtual em Saúde (BVS), abrangendo artigos publicados entre 2015 e 2025, em inglês, português e espanhol com descritores DeCS combinados por OR e AND. Foram incluídos estudos clínicos e observacionais que avaliaram o desenvolvimento cognitivo em crianças expostas a diferentes dispositivos digitais, considerando critérios como tempo médio de tela, tipo de exposição (ativa ou passiva), variáveis socioeconômicas e presença de deficiências sensoriais. Os resultados evidenciaram que quatro dos cinco estudos apontam uma associação negativa entre o uso exacerbado de telas e o desenvolvimento cognitivo, especialmente no que se refere a atrasos de linguagem, dificuldades atencionais e prejuízos em funções executivas. Destaca-se que cada hora adicional de tela foi associada a um risco de 37% de atraso linguístico e que a ausência de supervisão parental potencializou os efeitos prejudiciais. Por outro lado, conteúdos educativos mediados por adultos mostraram impacto menos nocivo e até efeitos positivos sobre vocabulário e alfabetização. A análise também revelou limitações metodológicas importantes, como a homogeneidade socioeconômica das amostras e a falta de controle sistemático para deficiências sensoriais, fatores que podem influenciar os resultados. Conclui-se que o tempo de tela, quando excessivo e sem supervisão, representa um fator de risco modificável para o desenvolvimento cognitivo infantil.