AVALIAÇÃO AXILAR EM PACIENTES COM CÂNCER DE MAMA INICIAL: O PAPEL DA ULTRASSONOGRAFIA PRÉ-OPERATÓRIA DA AXILA E DO RELATÓRIO PATOLÓGICO PRÉ-OPERATÓRIO
Dados do documento
Resumo
O estado linfonodal é um dos fatores prognósticos mais importantes no câncer de mama. Nas últimas décadas, o manejo clínico da axila em pacientes com câncer de mama passou por uma mudança de paradigma em relação ao descalonamento da cirurgia para evitar o tratamento excessivo de pacientes. A biópsia do linfonodo sentinela substituiu em grande parte a dissecção de linfonodos axilares em pacientes clinicamente negativos.Atualmente, nenhum exame de imagem possui valor preditivo negativo suficiente para evitar abordagem cirúrgica da axila quando nenhum linfonodo alterado é identificado, todavia, cada vez mais estudos incluem esses métodos como parte do planejamento terapêutico. Tendo, na prática clínica, o exame ultrassonográfico axilar papel de destaque no estadiamento e seguimento dos linfonodos regionais, com vantagens de ser um exame não invasivo e de fácil acesso Objetivo: Comparar o diagnóstico linfonodal axilar em pacientes com câncer de mama inicial utilizando o exame ultrassonográfico pré-operatório com os parâmetros do relatório anatomo-patológico pré e pós-operatórios, buscando esclarecer a eficácia da ultrassonografia principalmente para os casos que cursam com axila clinicamente negativa. Material e Métodos: Os dados foram coletados dos prontuários de pacientes com câncer de mama com diagnóstico pela UNACON da Planície Litorânea do Piauí. Critérios de inclusão foram: mulheres com câncer de mama inicial, sem histórico de câncer. Critérios de exclusão: pacientes com histórico de câncer, recidiva ou metástase, pacientes em estágios avançados do câncer de mama. O perfil anatomopatológico pré- e pós-operatório foi traçado e comparado com os resultados do exame clínico da axila dessas pacientes, incluindo o diagnóstico ultrassonográfico. A análise estatística foi realizada com testes de concordância e correlação, estabelecendo um nível de significância de 5% e auxílio do software SPSS. Resultados: Foramcoletadas informações de 22 pacientes com câncer de mama. O tamanho tumoral e a invasão angiolinfática avaliada pelo exame anatomopatológico pré e pós-operatório mostraram associação significativa com o acometimento tumoral em linfonodos regionais independente se a avaliação foi clínica-ultrassonográfica ou anatomopatológica. A ultrassonografia mostrou boa sensibilidade (66,7%) e alta especificidade (100%) na avaliação dos linfonodos axilares. A concordância entre a avaliação ultrassonográfica e anatomopatológica dos linfonodos axilares é quase perfeita (k= 0,74; p <0,001; concordância = 90%), a curva de Roc corrobora com os resultados (área 0,833, p p=0,18; IC = 0,59 – 1,0). Conclusão: Vale analisar a real necessidade da biopsia do linfonodo sentinela em pacientes com avaliação ultrassonográfica negativa da axila, principalmente frente ao tamanho do tumor primário. O acompanhamento clínico por ultrassonografia se faz importante e necessário e é suportado quando observamos os resultados desse estudo