TCC2018

AVALIAÇÃO DA RESPOSTA IMUNE HUMORAL CONTRA AS PROTEÍNAS GLURP E MASP-3 DE PLASMODIUM FALCIPARUM EM INDIVÍDUOS RESIDENTES NA AMAZÔNIA BRASILEIRA

Dados do documento

Autor(es)
Jenifer Peixoto de Barros
Orientador(es)
Cláudo Tadeu Daniel Ribeiro; Lilian Rose Pratt Riccio
Tipo do documento
TCC
Ano de publicação
2018
Data de publicação
16 de junho de 2025
Nome do curso
Não informado
Palavras-chave
Malária. Protozoários.

Resumo

A malária é uma doença parasitária causada por protozoários do gênero Plasmodium. Estima-se que ocorram 216 milhões de casos e 445 mil mortes decorrentes de malária anualmente, principalmente devido à infecção por Plasmodium falciparum. Assim, uma vacina eficaz é possivelmente a principal arma para reduzir de forma drástica essas estatísticas. Entretanto, embora mais de 30 antígenos tenham sido identificados como candidatos a vacina, até o momento nenhum deles gerou uma perspectiva sólida de que uma vacina possa estar disponível nos próximos anos. Dessa forma, é fundamental a pesquisa de novos candidatos vacinais. As proteínas GLURP e MSP-3 de P. falciparum são fortes antígenos candidatos a vacinas antimaláricas, visto que vários estudos têm demonstrado que a resposta imune contra esses antígenos está associada à proteção. Esses antígenos foram selecionados a partir de um raciocínio baseado em vários parâmetros. A malária dos trópicos corresponde aos critérios comumente utilizados para antígenos candidatos a vacinas, como a imunogenicidade em condições naturais de exposição, a correlação dos títulos de anticorpos específicos contra o antígeno em diversos graus de proteção clínica de indivíduos em áreas endêmicas e a capacidade funcional de anticorpos específicos de inibir o crescimento in vitro de P. falciparum. Importa, entretanto, verificar se o mesmo potencial é apresentado pelas populações-alvo no Brasil, uma vez que os parasitas circulantes aqui podem ser geneticamente diferentes dos que circulam em outras áreas endêmicas de malária, e também porque a constituição genética das populações pode influenciar a resposta imune aos antígenos vacinais. No presente trabalho, propomos avaliar a resposta imune humoral contra as proteínas GLURP e MSP-3 em indivíduos residentes em áreas endêmicas de malária da Amazônia Brasileira. O estudo foi concentrado nas cidades de Cruzeiro do Sul (AC), Mâncio Lima (AC) e Guajará (AM). Foram coletadas 124 amostras em Cruzeiro do Sul (grupo CZS), 88 em Mâncio Lima (grupo ML) e 87 em Guajará (grupo GJ). A pesquisa de anticorpos IgG e suas subclasses (IgG1, IgG2, IgG3 e IgG4) contra GLURP e MSP-3 foi realizada pela técnica de ELISA. Nossos dados mostraram que a maior parte dos indivíduos dos grupos CZS, ML e GJ apresentava anticorpos IgG que reconheciam as proteínas GLURP e MSP-3. A GLURP-R0 foi a mais amplamente reconhecida nos três grupos estudados e as subclasses de IgG que predominaram foram as citofílicas (IgG1 e IgG3), fator importante considerando que a aquisição de uma imunidade protetora está associada à presença e maiores níveis de IgG1 e IgG3. Em conjunto, nossos dados mostraram que as proteínas GLURP e MSP-3 são amplamente reconhecidas por anticorpos naturalmente adquiridos nas populações estudadas e que a GLURP se revelou mais imunogênica durante a infecção natural.