AVALIAÇÃO DA RESPOSTA IMUNE MEDIADA POR LINFÓCITOS B EM PACIENTES COM DOENÇA DE CHAGAS
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Resumo
A Doença de Chagas (DC) é causada pelo parasito Trypanosoma cruzi, sendo considerada uma doença tropical e negligenciada. Atualmente estima-se que entre 6 a 8 milhões de pessoas estão infectadas em todo o mundo. Esta doença apresenta duas fases: a aguda, normalmente assintomática ou possui sintomas leves e inespecíficos e a crônica, subdividida em fase assintomática, chamada de indeterminada, que pode durar ente 10 a 30 anos e fase sintomática, com sintomas cardíacos ou digestivos. O parasita possui alto tropismo pelo tecido cardíaco, e isso causa uma das principais complicações da fase crônica, que é a manifestação cardíaca, conhecida como cardiomiopatia chagásica crônica (CCC), sendo responsável pelo acometimento de 30 a 40% dos pacientes com a doença. A cardiomiopatia progride através de diversas fases: A, B1, B2, C e D, sendo a última a mais grave. A progressão ocorre através da perda do equilíbrio imunológico que promove resposta inflamatória, prejudicando a defesa do hospedeiro contra o parasita. Atualmente sabe-se que a expansão desregulada de linfócitos B contribui para a patogênese da CCC. O parasita induz ativação policlonal de células B promovendo diferenciação em subpopulações de memória ou em plasmócitos que irão produzir anticorpos essenciais para controlar a parasitemia, porém essa ativação policlonal é a responsável por parte dos danos cardíacos. Neste estudo, a resposta imune específica de linfócitos B contra o antígeno de T. cruzi foi caracterizada e o perfil fenotípico de subpopulações de células B foi identificado em pacientes com a doença, comparado com indivíduos sadios. As células B naive tiveram a maior contribuição percentual, no grupo controle, enquanto nas células B de memória a maior contribuição foi no grupo CCC, indicando que o perfil de aumento de linfócitos B é associado à exposição ao antígeno. A subpopulação transicional apresentou diminuição na contribuição das fases mais avançadas, B1/B2, e maior contribuição na fase A, a fase inicial da cardiomiopatia, indicando tentativa de regeneração imune. Os plasmoblastos demonstraram maior contribuição percentual em pacientes com a CCC, mais especificamente nas fases C e D, as fases mais avançadas. O estudo também mostra o perfil de células B exauridas, aumentadas tanto no grupo controle quanto no grupo CCC, associadas à idade e doenças crônicas. Os dados encontrados indicam que a resposta imune mediada por linfócitos B se torna progressivamente ineficaz com a evolução da cardiopatia chagásica crônica.