TCC2025

AVALIAÇÃO DA RESPOSTA IMUNE MEDIADA POR LINFÓCITOS B EM PACIENTES COM DOENÇA DE CHAGAS

Dados do documento

Autor(es)
Luana Viana
Orientador(es)
Alinne Renzetti
Tipo do documento
TCC
Ano de publicação
2025
Data de publicação
05 de setembro de 2025
Nome do curso
Não informado
Palavras-chave
Doença de Chagas. Linfócitos B e cardiomiopatia chagásica crônica.

Resumo

A Doença de Chagas (DC) é causada pelo parasito Trypanosoma cruzi, sendo considerada uma doença tropical e negligenciada. Atualmente estima-se que entre 6 a 8 milhões de pessoas estão infectadas em todo o mundo. Esta doença apresenta duas fases: a aguda, normalmente assintomática ou possui sintomas leves e inespecíficos e a crônica, subdividida em fase assintomática, chamada de indeterminada, que pode durar ente 10 a 30 anos e fase sintomática, com sintomas cardíacos ou digestivos. O parasita possui alto tropismo pelo tecido cardíaco, e isso causa uma das principais complicações da fase crônica, que é a manifestação cardíaca, conhecida como cardiomiopatia chagásica crônica (CCC), sendo responsável pelo acometimento de 30 a 40% dos pacientes com a doença. A cardiomiopatia progride através de diversas fases: A, B1, B2, C e D, sendo a última a mais grave. A progressão ocorre através da perda do equilíbrio imunológico que promove resposta inflamatória, prejudicando a defesa do hospedeiro contra o parasita. Atualmente sabe-se que a expansão desregulada de linfócitos B contribui para a patogênese da CCC. O parasita induz ativação policlonal de células B promovendo diferenciação em subpopulações de memória ou em plasmócitos que irão produzir anticorpos essenciais para controlar a parasitemia, porém essa ativação policlonal é a responsável por parte dos danos cardíacos. Neste estudo, a resposta imune específica de linfócitos B contra o antígeno de T. cruzi foi caracterizada e o perfil fenotípico de subpopulações de células B foi identificado em pacientes com a doença, comparado com indivíduos sadios. As células B naive tiveram a maior contribuição percentual, no grupo controle, enquanto nas células B de memória a maior contribuição foi no grupo CCC, indicando que o perfil de aumento de linfócitos B é associado à exposição ao antígeno. A subpopulação transicional apresentou diminuição na contribuição das fases mais avançadas, B1/B2, e maior contribuição na fase A, a fase inicial da cardiomiopatia, indicando tentativa de regeneração imune. Os plasmoblastos demonstraram maior contribuição percentual em pacientes com a CCC, mais especificamente nas fases C e D, as fases mais avançadas. O estudo também mostra o perfil de células B exauridas, aumentadas tanto no grupo controle quanto no grupo CCC, associadas à idade e doenças crônicas. Os dados encontrados indicam que a resposta imune mediada por linfócitos B se torna progressivamente ineficaz com a evolução da cardiopatia chagásica crônica.