CAMINHOS DA SAÚDE MENTAL: AVANÇOS E DESAFIOS DA REDE DE ATENÇÃO PSICOSSOCIAL NO BRASIL
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Resumo
A Reforma Psiquiátrica brasileira traz consigo a perspectiva de mudança no cuidado às pessoas com sofrimento mental, que, dentre inúmeros aspectos, destaca-se a humanização do cuidado, com ações de inclusão e a reabilitação psicossocial. Para isso, é preciso a organização de uma rede de atenção integral à saúde mental, surgindo então, a Rede de Atenção Psicossocial (RAPS), encarregada de nortear a assistência às pessoas com necessidades de tratamento e cuidados específicos em saúde mental. O estudo trata de uma Revisão Integrativade produções científicas do quinquênio 2018–2023 que versam sobre os avanços e desafios da Rede de Atenção Psicossocial (RAPS) no contexto brasileiro. O método foi constituído pela identificação do tema e seleção da questão de pesquisa, estabelecimento de critérios de inclusão e exclusão, identificação dos estudos pré-selecionados e selecionados, leitura dos estudos selecionados, análise e interpretação dos resultados para posterior apresentação. Como resultados, identificou-se a mudança progressiva na visão de cuidado das pessoas em sofrimento mental, migrando de uma lógica curativista para uma atenção integral; a ampliação cobertura regional da RAPS e o fortalecimento da atenção básica em saúde mental, com ênfase na capilarização dos dispositivos componentes da rede, numa proposta de reabilitação e inclusão psicossocial. Já como desafios, observou-se a ausência em alguns pontos no território brasileiro da cobertura da RAPS; concentração dos serviços de saúde mental; necessidade de capacitação contínua dos profissionais; a ascensão das comunidades terapêuticas e seus métodos ignóbeis; a implantação do “teto de gastos” e morosidade no rompimento definitivo com a lógica manicomial. A pesquisa permite identificar um cotidiano complexo, com muitos avanços mas repleto de nuances, em um cenário cortado por disputas de poder; desvelando ações tutelares e estigmatizantes no contexto da RAPS.