Dissertações2021

CARACTERÍSTICAS CLÍNICO-EPIDEMIOLÓGICAS E CLASSIFICAÇÃO DE GRAVIDADE DE PACIENTES COM ERITEMA NODOSO HANSÊNICO ATENDIDOS EM UM HOSPITAL TERCIÁRIO DO PIAUÍ.

Dados do documento

Autor(es)
Caroline Baima de Melo
Orientador(es)
Euzenir Nunes Sarno
Tipo do documento
Dissertações
Ano de publicação
2021
Data de publicação
28 de junho de 2021
Nome do curso
Mestrado
Nome da Unidade
Afya Teresina
Palavras-chave
Piauí. Hanseníase. Eritema Nodoso Hansênico. Severidade.

Resumo

A hanseníase é uma doença infecciosa que acomete pele e nervos periféricos, causada pela bactéria Mycobacterium leprae. Além de um espectro de apresentações clínicas, pode desencadear reações imunológicas agudas, denominadas reações hansênicas, que podem ser do tipo 1 (reação reversa) ou tipo 2 (eritema nodoso hansênico - ENH). O eritema nodoso é o tipo mais comum e mais grave de reação. Pode ser classificado em leve, moderado ou grave, o que implica diretamente no prognóstico e tratamento. Para padronizar a classificação, o Grupo Internacional de estudos em Eritema Nodoso Hansênico, Erythema Nodosum Leprosum International Study (ENLIST) Group, elaborou uma escala objetiva de gravidade da doença, a escala ENLIST ENL (ENL - erythema nodosum leprosum), a qual é a primeira escala validada no mundo. O objetivo do estudo foi descrever as características sociodemográficas, clínicas e epidemiológicas dos pacientes atendidos em um hospital terciário, um dos três centros de referência em hanseníase no Piauí, classificando-os de acordo com a gravidade mensurada pela escala ENLIST ENL. Para isso, foi realizado estudo observacional transversal descritivo, envolvendo 26 pacientes, recrutados sequencialmente de maio de 2017 a fevereiro de 2018. De acordo com a pontuação obtida na escala, os pacientes foram divididos em dois grupos: 1, ENH leve e 2, ENH moderado/grave. Os dados, coletados mediante questionário estruturado, foram analisados estatisticamente e comparados entre si. Foram 12 pacientes no grupo 1 e 14 no grupo 2. Nódulos cutâneos foram identificados em 96,2% dos pacientes e dor, em 84,6%, sendo as manifestações mais frequentes. A extensão e número de nódulos se relacionaram à gravidade dos casos. A maior parte dos pacientes era do sexo masculino, faixa etária de 31 a 49 anos, com baixa escolaridade, pardos, renda familiar entre 1 e 3 salários mínimos e residentes na área urbana de Teresina. Comorbidades foram encontradas em 46,2%, sendo diabetes melitus a doença mais frequente. Vinte e quatro pacientes (92,3%) apresentavam incapacidade, a maioria grau 1. A forma clínica virchowiana foi a mais frequente. Apenas dois pacientes ainda estavam tomando a poliquimioterapia (PQT) para hanseníase, a maioria havia terminado o tratamento há mais de um ano. A maior parte dos casos eram crônicos, com histórico de mais de 5 episódios, tratados com talidomida, na dose de 100 mg/dia, isolada ou associada a corticosteroide oral. A interrupção do tratamento foi apontada como a causa para os surtos em 61,5% dos pacientes. O eritema nodoso hansênico se manifesta por nódulos cutâneos e dor em quase todos os pacientes, portanto interfere negativamente na sua qualidade de vida. Muitos pacientes desenvolvem ENH crônico e necessitam de tratamento com talidomida e outros imunossupressores por tempo prolongado e a interrupção inapropriada das medicações é a principal responsável pelos surtos da doença. Esse foi o primeiro estudo realizado no Piauí a utilizar uma escala de gravidade do eritema nodoso hansênico validada, a qual deve ser divulgada em todos os serviços de referência.