TCC2025

CARACTERIZAÇÃO DE UM MODELO EXPERIMENTAL DE MICROGLIA PARA INVESTIGAÇÃO DA FISIOPATOLOGIA DA FENILCETONÚRIA

Dados do documento

Autor(es)
Luísa Nogueira Cascardo da Silva
Orientador(es)
Patrícia Fernanda Schuck
Tipo do documento
TCC
Ano de publicação
2025
Data de publicação
06 de fevereiro de 2026
Nome do curso
Não informado
Palavras-chave
Células BV-2. Fenilcetonúria. Microglia. Modelo Experimental. Sistema Nervoso Central.

Resumo

A fenilcetonúria (PKU) é um erro inato do metabolismo da fenilalanina (Phe) causado pela deficiência da enzima fenilalanina hidroxilase (PAH), levando ao acúmulo de Phe nos líquidos e tecidos de pacientes. Os principais sinais e sintomas da PKU são neurológicos, e acredita-se que sejam resultado de efeitos neurotóxicos da Phe. Considerando-se que os mecanismos da neurotoxicidade da Phe ainda não estejam bem elucidados, e que estudos sugerem o envolvimento da microglia na fisiopatologia da PKU, o presente trabalho buscou caracterizar um modelo experimental in vitro para investigação dos efeitos da Phe sobre células da microglia utilizando células BV-2. Inicialmente, foram coletadas de bancos de dados informações sobre a expressão dos genes que codificam a enzima PAH e os transportadores de aminoácidos LAT (1-4) em células humanas. Os dados coletados mostraram que as células da microglia humana não expressam PAH e, dentre as células humanas investigadas, a microglia é a que apresenta maior expressão do gene LAT1, que codifica o principal transportador de Phe. Análises por RT-PCR demonstraram que, da mesma forma que a microglia humana, as células BV-2 expressam Lat1, mas não expressam Pah, indicando que a Phe pode ser transportada para dentro dessas células sem ser metabolizada pela enzima PAH. Análises por imunofluorescência confirmaram que as células BV-2 apresentam marcadores clássicos de microglia (Iba-1). Células BV-2 foram, então, incubadas na ausência (controle) ou presença de H₂O₂ 0,1 mM ou Phe (1, 2,5 ou 5 mM) por 48h. Imagens de microscopia de campo claro mostraram que a incubação com H₂O₂ 0,1 mM ou Phe 5 mM induziram alterações morfológicas evidentes nas células BV2 e promoveram um aumento na liberação de LDH em comparação ao grupo controle, indicando uma redução da viabilidade celular. Além disso, as concentrações de Phe 2,5 mM e 5 mM inibiram a atividade total da enzima LDH. Por fim, avaliou-se o efeito de Phe sobre o conteúdo de grupos sulfidrila, indicador do estado redox celular, e se observou que Phe 5 mM e H₂O₂ 0,1 mM diminuíram o conteúdo desse marcador. Em conjunto, os resultados sugerem que as células BV-2 podem ser utilizadas para o estudo da participação da microglia na fisiopatologia da PKU.