TCC2025

CIGARROS ELETRÔNICOS, SAÚDE RESPIRATÓRIA E OS IMPACTOS NA POPULAÇÃO JOVEM: UMA REVISÃO DE LITERATURA

Dados do documento

Autor(es)
Mariana de Oliveira Gonçalves
Orientador(es)
Michel Monteiro Macedo
Tipo do documento
TCC
Ano de publicação
2025
Data de publicação
29 de junho de 2025
Nome do curso
Medicina
Nome da Unidade
Afya Itaperuna

Resumo

O  uso  de  dispositivos  eletrônicos  para  fumar  (DEFs)  tem  crescido  entre  adolescentes  e adultos  jovens,  apesar  da  proibição  pela  RDC  46/2009,  configurando  um  desafio  emergente para  a  saúde  pública.  Esta  revisão  narrativa  analisou  evidências  recentes  (2020–2025) sobre  os  impactos  respiratórios  do  uso  de  DEFs  em  indivíduos  de  15  a  29  anos.  As  buscas realizadas  na  SciELO,  BVS  e  PubMed  identificaram  414  estudos,  dos  quais  7  atenderam rigorosamente  aos  critérios  de  inclusão.  Os  achados  revelam,  de  forma  consistente,  que tanto  o  uso  ativo  quanto  a  exposição  passiva  aos  DEFs  estão  associados  ao  aumento  de sintomas  respiratórios,  incluindo  tosse,  dispneia,  bronquite,  sibilância  e  hipersecreção  de muco.  Estudos  populacionais  robustos  demonstraram  que  jovens  expostos  ao  vapor apresentaram  risco  aumentado  de  bronquite  (OR  1,40)  e  dispneia  (OR  1,53).  Em  amostras superiores  a  39  mil  participantes,  características  como  uso  de  sabores  múltiplos  e dispositivos  descartáveis  elevaram  o  risco  de  sintomas  em  até  3  vezes.  Entre  jovens  adultos de  18–24  anos,  o  uso  de  e-cigarettes  aumentou  a  ocorrência  de  sibilância  e  tosse independentemente  do  tabagismo  prévio  (aOR  1,32).Além  disso,  a  composição  dos  líquidos mostrou  papel  determinante  nos  danos  respiratórios.  Flavorizantes,  aldeídos  voláteis,  metais pesados  e  aditivos  como  acetato  de  vitamina  E  associado  ao  THC  demonstraram  maior potencial  tóxico  e  relação  direta  com  casos  de  lesão  pulmonar  associada  ao  uso  de  cigarro eletrônico  (EVALI).  No  cenário  epidemiológico,  destacam-se  os  2.807  casos  e  68  óbitos  por EVALI  reportados  ao  CDC  até  fevereiro  de  2020,  com  manifestações  graves  como insuficiência  respiratória,  consolidação  em  vidro  fosco  e  leucocitose  em  até  95%  dos adolescentes  afetados.  Conclui-se  que,  apesar  da  heterogeneidade  metodológica  entre  os estudos,  as  evidências  são  convergentes:  os  DEFs  representam  riscos  respiratórios substanciais  para  jovens  usuários  e  para  indivíduos  expostos  passivamente.  Esses  achados reforçam  a  urgência  de  estratégias  preventivas,  vigilância  clínica  estruturada  e  pesquisas futuras  com  padronização  de  desfechos  e  avaliação  sistemática  das  formulações vaporizadas.