COINFECÇÕES E DANOS NÃO INFECCIOSOS EM PACIENTE VIVENDO COM HIV E REFRATÁRIO AO TRATAMENTO: UM RELATO DE CASO
Dados do documento
Resumo
Introdução: Pessoas imunodeficientes tornam-se mais vulneráveis a infecções oportunistas e neoplasias, pois o HIV compromete linfócitos TCD4+ e TCD8+, reduzindo a capacidade de defesa do organismo. Nesse contexto, o presente estudo visa trazer o relato de um paciente imunodeficiente pela infecção pelo HIV, com amplo histórico de infecções sexualmente transmissíveis, além do desenvolvimento de quadro tumoral, destacando a importância do tratamento com antirretroviral para reversão do quadro. Metodologia: Foram analisados o prontuário médico e exames laboratoriais do paciente, além de entrevista com questionário estruturado para levantamento de dados sociodemográficos e comportamentais para construção do relato. Além disso, realizaram-se buscas bibliográficas nas bases PubMed, Google Acadêmico, Scielo, Unimontes Científica e no Ministério da Saúde (Gov.br), abrangendo publicações de 2005 a 2025 para discutir o caso. Relato Do Caso: O paciente, homem bissexual, apresentou durante anos múltiplas ISTs, incluindo herpes genital, sífilis e HPV, além de um carcinoma basocelular. Apesar desses episódios, o teste para HIV somente foi solicitado após o desenvolvimento de neurotoxoplasmose grave, com sequelas neurológicas. Após iniciar a TARV pelo SUS, houve recuperação importante dos níveis de TCD4+ e controle da carga viral, embora fatores emocionais, socioeconômicos e dificuldades de adesão tenham influenciado seu percurso clínico. Discussão: Esse caso evidencia como o diagnóstico tardio do HIV permanece como um desafio a ser vencido no Brasil. A baixa adesão ao tratamento também causa impactos tanto ao paciente quanto ao sistema de saúde, uma vez que permite o surgimento de doenças oportunistas levando a quadros graves. A resistência do paciente ao tratamento é fortemente influenciada por sofrimento emocional, estigma, queda socioeconômica e falta de suporte. Por outro lado, quando a terapia é realizada de forma contínua, ocorre recuperação imunológica significativa. Portanto, a eficácia da TARV depende, entre outras coisas, da garantia de acesso e exige uma abordagem humanizada e multidisciplinar, focada na integralidade do cuidado ao paciente. Conclusão: A adesão contínua ao tratamento antirretroviral é essencial para a recuperação imunológica e prevenção de complicações graves, mesmo quando iniciada em estágios extremamente avançados de imunodepressão. Além disso, o estudo também destacou a importância de uma abordagem integral, que inclui suporte psicossocial e diagnóstico oportuno para melhorar o prognóstico de pessoas vivendo com HIV.