CONCEPÇÃO DE PROFISSIONAIS DA ESTRATÉGIA SAÚDE DA FAMÍLIA SOBRE A SAÚDE MENTAL NA ATENÇÃO BÁSICA.
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Resumo
No Brasil, a saúde da família, estratégia priorizada pelo Ministério da Saúde para organizar a atenção básica, possui como desafio promover a reorientação das práticas e ações de saúde. Essa estratégia reafirma os princípios básicos do Sistema Único de Saúde e propõe resolver, na atenção primária, cerca de 80% dos problemas de saúde mais prevalentes. Para que essa resolutividade aconteça é necessária à existência do vínculo e do diálogo entre atenção básica e saúde mental, configurando uma articulação com a proposta da Reforma Psiquiátrica. Diante dessa perspectiva, o apoio matricial visa implantar mecanismos de cuidado territoriais e integrais, ancorados em novos saberes e valores culturais. A pesquisa teve como objetivos: analisar a concepção de profissionais da Estratégia Saúde da Família sobre a saúde mental com base na Política Nacional de Saúde Mental e elaborar uma cartilha de atenção à saúde mental que contemple as peculiaridades e complexidades da pessoa com transtorno mental. Trata-se de uma pesquisa de campo, descritiva, exploratória e com abordagem qualitativa, que foi desenvolvida no Centro de Saúde da Família Maria Eglantine Ponte Guimarães em Sobral - Ceará, com a participação de 20 profissionais da Estratégia Saúde da Família (05 enfermeiras; 02 médicas; 02 odontólogos; 08 agentes comunitários de saúde e 03 técnicas de enfermagem), com idade entre 30 a 50 anos e atuação profissional há mais de 02 anos no referido local da pesquisa. Os dados foram coletados por meio de uma entrevista com roteiro semiestruturado e, após o consentimento dos participantes, foram gravados em áudio e transcritos na íntegra, conforme as recomendações da Resolução 466/2012 do Conselho Nacional de Saúde. Em seguida, os resultados foram explorados e investigados a partir da análise de conteúdo proposta por Bardin e agrupados em três categorias: o tipo de demanda em saúde mental vivenciada no Centro de Saúde da Família; as ações em saúde mental desenvolvidas e a importância do apoio matricial para os profissionais de saúde. Verificou-se que a demanda relativa à saúde mental mais frequente na realidade dessa unidade de saúde é a de pacientes que procuram o atendimento para renovar a receita e continuar o tratamento. Outras demandas também foram mencionadas, como o uso de álcool e outras drogas e situações constatadas como sendo de transtorno mental na área de cobertura da equipe. É possível identificar que a concepção de ações em saúde mental está compartimentalizada, com intervenções fragmentadas por especialidades e fortalecendo a lógica dos encaminhamentos. Isso acontece porque, tradicionalmente, o modelo hierarquizado de atendimento em saúde produziu uma desagregação e burocratização nas formas de relacionamento entre os serviços, instituindo formas de se conceber e de se intervir, acarretando uma desresponsabilização em detrimento da corresponsabilização entre profissionais e serviços de saúde. É justamente essa tendência que a dinâmica do apoio matricial visa superar. Portanto, constatou-se que a inclusão das ações de saúde mental na atenção básica pode ampliar o campo da atenção psicossocial, assim como o desenvolvimento de tecnologias de cuidado guiadas pela noção de responsabilização, vínculo, comprometimento e integralidade com a vida dos usuários, família e comunidade.