Dissertações2016

CONCEPÇÃO DE PROFISSIONAIS DA ESTRATÉGIA SAÚDE DA FAMÍLIA SOBRE A SAÚDE MENTAL NA ATENÇÃO BÁSICA.

Dados do documento

Autor(es)
Denilson Gomes Silva
Orientador(es)
José Nazareno Pearce de Oliveira Brito
Tipo do documento
Dissertações
Ano de publicação
2016
Data de publicação
27 de março de 2016
Nome do curso
Mestrado
Nome da Unidade
Afya Teresina
Palavras-chave
Saúde mental. Estratégia saúde da família. Profissionais.

Resumo

No Brasil, a saúde da família, estratégia priorizada pelo Ministério da Saúde para organizar a atenção básica, possui como desafio promover a reorientação das práticas e ações de saúde. Essa estratégia reafirma os princípios básicos do Sistema Único de Saúde e propõe resolver, na atenção primária, cerca de 80% dos problemas de saúde mais prevalentes. Para que essa resolutividade aconteça é necessária à existência do vínculo e do diálogo entre atenção básica e saúde mental, configurando uma articulação com a proposta da Reforma Psiquiátrica. Diante dessa perspectiva, o apoio matricial visa implantar mecanismos de cuidado territoriais e integrais, ancorados em novos saberes e valores culturais. A pesquisa teve como objetivos: analisar a concepção de profissionais da Estratégia Saúde da Família sobre a saúde mental com base na Política Nacional de Saúde Mental e elaborar uma cartilha de atenção à saúde mental que contemple as peculiaridades e complexidades da pessoa com transtorno mental. Trata-se de uma pesquisa de campo, descritiva, exploratória e com abordagem qualitativa, que foi desenvolvida no Centro de Saúde da Família Maria Eglantine Ponte Guimarães em Sobral - Ceará, com a participação de 20 profissionais da Estratégia Saúde da Família (05 enfermeiras; 02 médicas; 02 odontólogos; 08 agentes comunitários de saúde e 03 técnicas de enfermagem), com idade entre 30 a 50 anos e atuação profissional há mais de 02 anos no referido local da pesquisa. Os dados foram coletados por meio de uma entrevista com roteiro semiestruturado e, após o consentimento dos participantes, foram gravados em áudio e transcritos na íntegra, conforme as recomendações da Resolução 466/2012 do Conselho Nacional de Saúde. Em seguida, os resultados foram explorados e investigados a partir da análise de conteúdo proposta por Bardin e agrupados em três categorias: o tipo de demanda em saúde mental vivenciada no Centro de Saúde da Família; as ações em saúde mental desenvolvidas e a importância do apoio matricial para os profissionais de saúde. Verificou-se que a demanda relativa à saúde mental mais frequente na realidade dessa unidade de saúde é a de pacientes que procuram o atendimento para renovar a receita e continuar o tratamento. Outras demandas também foram mencionadas, como o uso de álcool e outras drogas e situações constatadas como sendo de transtorno mental na área de cobertura da equipe. É possível identificar que a concepção de ações em saúde mental está compartimentalizada, com intervenções fragmentadas por especialidades e fortalecendo a lógica dos encaminhamentos. Isso acontece porque, tradicionalmente, o modelo hierarquizado de atendimento em saúde produziu uma desagregação e burocratização nas formas de relacionamento entre os serviços, instituindo formas de se conceber e de se intervir, acarretando uma desresponsabilização em detrimento da corresponsabilização entre profissionais e serviços de saúde. É justamente essa tendência que a dinâmica do apoio matricial visa superar. Portanto, constatou-se que a inclusão das ações de saúde mental na atenção básica pode ampliar o campo da atenção psicossocial, assim como o desenvolvimento de tecnologias de cuidado guiadas pela noção de responsabilização, vínculo, comprometimento e integralidade com a vida dos usuários, família e comunidade.