Dissertações2013

CONCEPÇÃO DOS TRABALHADORES DA SAÚDE SOBRE O PROCESSO DE JUDICIALIZAÇÃO.

Dados do documento

Autor(es)
Samuel Henderson Pereira Lopes
Orientador(es)
Lucíola Galvão Gondim Corrêa Feitosa
Tipo do documento
Dissertações
Ano de publicação
2013
Data de publicação
20 de março de 2018
Nome do curso
Mestrado
Nome da Unidade
Afya Teresina
Palavras-chave
Judicialização. Gasto Público. Trabalhador em Saúde.

Resumo

INTRODUÇÃO: A judicialização da saúde constitui tema que, só recentemente, inseriu-se no debate da administração pública, mídia e da sociedade como um todo. Amparada legalmente na Constituição de 1988 e na universalização do SUS que institui que é dever do Estado prestar os serviços de saúde necessários ao cidadão. Com gastos e interferências cada vez maiores com sentenças judiciais, a judicialização virou um caminho, uma solução para alguns e um problema para outros. OBJETIVOS: Conhecer a concepção de trabalhadores da saúde sobre o processo de judicialização; levantar os custos financeiros com a judicialização no Estado o Piauí no ano de 2016 e produzir um vídeo para trabalhadores da saúde sobre o processo de judicialização. METODOS: Estudo descritivo de natureza qualitativa realizado com trabalhadores da saúde de um hospital psiquiátrico do Estado do Piauí e gestor da Secretaria Estadual de Saúde, por meio de entrevista semiestruturada com perguntas abertas e fechadas, tendo como critérios de inclusão plantonistas médicos diretamente envolvidos no processos de judicialização e gestor com atuação direta na Superintendência de Atenção à Saúde (SUPAS). As entrevistas foram transcritas e analisadas conforme Análise de conteúdo proposta por Bardin. A pesquisa foi aprovada no Comitê de Ética da UNINOVAFAPI com parecer favorável de nº 2.509.935. RESULTADOS: No hospital psiquiátrico os entrevistados entendem a judicialização, mas não concordam com as decisões, pois esta desorganiza o serviço do hospital, haja visto que muitos pacientes, mesmo após a alta hospitalar, permanecem presos no hospital obstaculizando a assistência a outros pacientes. Foi colocado que este processo é visto como uma interferência direta na atuação profissional médica, gerando constrangimentos. Na Secretaria Estadual de Saúde a entrevista com o gestor mostra que o mesmo tem uma grande preocupação com a judicialização excessiva, pois o Estado possui um orçamento limitado e nas decisões judiciais há o predomínio do individual em detrimento ao coletivo, o que gera discussões acaloradas e distorções pela própria população. Dos gastos contabilizados no ano de 2016 através de processo administrativo interno, o Estado do Piauí gastou oito milhões e trinta e seis mil reais com sentenças judiciais na área de saúde, principalmente determinando compra de medicamentos. CONCLUSÃO: Conclui-se que a judicialização da saúde é um tema que preocupa o gestor e acarreta uma sobrecarga financeira nos diversos níveis de atendimento da saúde, pois dificulta a operacionalização do hospital assim como o planejamento financeiro da Secretaria Estadual de Saúde. Foi elaborado um vídeo educativo para trabalhadores da saúde sobre o processo de judicialização.