CONDUTAS DOS PROFISSIONAIS DA ESTRATÉGIA SAÚDE DA FAMÍLIA QUANTO A PREVENÇÃO, DIAGNÓSTICO E TRATAMENTO DA SÍFILIS CONGÊNITA.
Dados do documento
Resumo
A sífilis congênita (SC) ainda é considerada um importante problema de saúde pública apesar de ser uma doença de fácil diagnóstico e totalmente evitável quando o tratamento da gestante e de seu parceiro é realizado de forma adequada. A pesquisa apresenta como objeto de estudo as condutas dos profissionais de saúde da estratégia Saúde da Família (ESF) no que tange à prevenção, diagnóstico e tratamento da sífilis congênita durante o pré-natal e acompanhamento do recém-nascido conforme diretrizes estabelecidas pelo Ministério da Saúde - MS. O objetivo do estudo foi analisar as condutas dos profissionais da ESF que atuam na consulta pré-natal e no acompanhamento da criança quanto à prevenção, diagnóstico, tratamento e acompanhamento da criança com SC. Trata-se de um estudo descritivo, quantitativo realizado em um município do Estado do Piauí, com 60 profissionais (35 enfermeiros e 25 médicos) que atuavam na ESF. A coleta deu-se por um questionário semiestruturado com três partes: a primeira abordou questões sobre a caracterização sociodemográfica e formação dos profissionais de saúde. Na segunda, questões relacionadas ao conhecimento dos profissionais sobre a sífilis na gestação (diagnóstico e tratamento) e a terceira relativa ao conhecimento sobre prevenção, diagnóstico e tratamento da SC. Os dados foram processados no Microsoft Excel 2010 com base estatística de frequências absolutas e percentuais. Os resultados demonstraram que a maioria (56,5%) não recebeu qualquer treinamento sobre a SC. Quanto ao treinamento para sífilis na gestação, 31% afirmou não ter feito e 11% não informou. Dentre os que fizeram o treinamento, 15% participou há mais de 2 anos. A maioria (92%) solicita o VDRL (Venereal Disease Research Laboratories) no pré-natal (1º e 3º trimestre). Quanto ao tratamento da sífilis durante a gestação, somente 27% utiliza o esquema da 3ª série, conforme recomendação do MS. Para os participantes do estudo a prevenção da SC é feita através da solicitação do VDRL (23%), pré-natal (37%), relação sexual segura (22,5%) e tratamento do parceiro (17%). Quanto ao tratamento para SC 16,5% considerou o VDRL como forma de tratamento e 83,5% a penicilina benzatina. Foram citadas dificuldades no acompanhamento dos pacientes com sífilis tais como: a marcação de exames (20%), a falta de capacitação (15,5%), a ausência de medicamentos (7,5%), a não realização de exames na UBS (61,5%), a não colaboração da mãe (50%) e do parceiro (16,7%). Constata-se um despreparo dos profissionais no que tange às condutas de prevenção, diagnóstico e tratamento da SC, provavelmente relacionada à insuficiente qualificação recebida. Há necessidade de melhor formação para lidar com a SC através de programas destinados à capacitação continuada dos profissionais da ESF, visto a necessidade de uma atualização constante quanto às ações cotidianas desenvolvidas acerca da sífilis congênita. Além disso, outras medidas como a realização de um monitoramento das ações e elaboração de protocolos contribuiriam para redirecionar as condutas, segundo preconizado pelo Ministério da Saúde.