CONHECIMENTO DOS PROFISSIONAIS DA ATENÇÃO PRIMARIA SOBRE O ATENDIMENTO INICIAL AO PACIENTE QUEIMADO.
Dados do documento
Resumo
Introdução: Queimaduras são traumas potencialmente fatais. Por vezes, as vítimas têm seu primeiro atendimento em Unidades Básicas de Saúde. Assim, o conhecimento dos profissionais médicos e enfermeiros da Atenção Primária (AP) sobre o atendimento inicial ao queimado configura-se como peça fundamental na redução do agravamento do quadro e risco de vida. Objetivos: Avaliar o nível de conhecimento dos profissionais médicos e enfermeiros da AP sobre atendimento inicial ao paciente queimado; Caracterizar os participantes da pesquisa em relação aos indicadores sociodemográficos e à sua formação profissional; Investigar o nível de conhecimento e sua associação com o perfil profissional em relação ao fluxograma para o atendimento com classificação de risco / vulnerabilidade para pacientes queimados do Ministério da Saúde (MS); Avaliar a associação entre o nível de conhecimento desses profissionais e os indicadores sociodemográficos; Elaborar um álbum seriado que auxilie na avaliação e tratamento de pacientes queimados voltados para os profissionais da AP. Métodos: Estudo transversal com profissionais médicos e enfermeiros da AP de um município. Para a coleta de dados, utilizou-se questionários estruturados validados, diferentes e específicos para cada grupo de profissionais. Os dados obtidos foram submetidos a análise estatística (teste qui-quadrado; coeficiente de correlação de Spearman’s; teste de Mann-Whitney; análise de regressão logística). O nível de significância em todos os testes foi de 5% (p <0,05). Para a elaboração do álbum seriado, fez-se a seleção de fontes bibliográficas do MS sobre o tema. Posteriormente, seguiu-se a elaboração dos textos e montagem do mesmo com atenção a linguagem, layout e ilustrações. Resultados: Participaram do estudo 71 profissionais, dos quais 49,30% possuíam 42 anos ou menos, com predominância do sexo feminino (92,96%). Quanto à formação profissional, 66,20% eram enfermeiros e 40,84% foram graduados há mais de 20 anos. A maior parte dos entrevistados (83,09%) possuía pelo menos uma pós-graduação. Acima de 59% dos pesquisados apresentam mais de 10 anos de experiência na AP. A forma de ingresso na AP foi, predominantemente, via concurso público (81,69%). Observamos, no grupo dos médicos, um índice geral de desconhecimento de 40,27% e, no grupo dos enfermeiros de 45,59%. Não houve diferença estatística entre esses dois grupos quanto ao nível de conhecimento sobre queimaduras (p=0,27). Embora mais médicos (29,17%) conhecessem o fluxograma para atendimento inicial ao queimado na AP do Ministério da Saúde do que os enfermeiros (14,89%), tal diferença não teve significado estatístico (p=0,15). O modelo de regressão logística estimado indicou que a única variável que diferenciou os grupos que possuíam mais conhecimento daqueles com menor conhecimento foi tempo de experiência na AP (quanto mais anos na AP maior o número de acertos ao questionário, (p=0,04). A falta de conhecimentos assumiu valores maiores que 50% por médicos e enfermeiros nos temas fisiopatologia e cuidados locais. Conclusão: Diante dos resultados faz-se necessário ações voltadas para aumentar o nível de conhecimento dos profissionais médicos e enfermeiros da AP nesse tema. Com esse fim, elaborou-se um álbum seriado visando facilitar o atendimento inicial ao paciente queimado na AP.