TCC2017

CULTURA DO ESTUPRO:O ENTRAVE ENTRE A LIBERDADE SEXUAL DA MULHER E A ESTRUTURA DE UMA SOCIEDADE MACHISTA

Dados do documento

Autor(es)
Danielle Ferreira da S. Rodrigues
Orientador(es)
Ciro Di Benatti Galvão
Tipo do documento
TCC
Ano de publicação
2017
Data de publicação
01 de julho de 2024
Nome do curso
Direito
Palavras-chave
Feminismo. Direito. Direitos humanos. Sociedade e Estado. Estupro.

Resumo

Este artigo possui o condão de instigar um pensamento, abrasivamente, repugnante sobre a realidade do crime de estupro no Brasil, mudando, de forma verdadeira e, por isso, radical, a estrutura da percepção social em relação à mencionada prática delituosa (estupro). A metodologia inclui fontes primarias a legislação penal e a Norma Maior, além dos artigos e pesquisas de estatísticas que serão utilizadas como base do presente estudo. Apesar de estarmos no século XXI, a violência contra a mulher é constante, e, não por acaso, a maioria das mulheres brasileiras possui medo de ser estuprada. Não bastasse, a maior parte da sociedade transfere a culpa do estupro para a vítima – a mulher vítima é considerada responsável pelo crime, pois foi ela, para essa maioria, que, de alguma forma, fomentou, provocou e proporcionou a violação sexual sofrida. Outra preocupação, é que grande parte dos casos de estupro não são notificados, devido às dificuldades encontradas pelas vítimas, como o constrangimento, a exposição e o referido julgamento da sociedade. No entanto, a responsabilidade e a resposta não estão, apenas, na estrutura da sociedade machista. A complexidade do assunto se estende e alcança o “sistema punitivo” brasileiro, envolvendo tanto o Judiciário quanto o Legislativo e o Executivo, sobretudo, os órgãos que compõe o Sistema de Defesa Social. Realizando um retorno enfático, além das brechas legais e das burocracias processuais que tardam a reparação e punição da conduta, é perceptível que o número de profissionais que atuam nesses órgãos, é, em sua maioria, do gênero masculino, realçando assim, a deficiência de representatividade feminina nesses órgãos, sendo que tal equação contribui para a existência de possíveis interpretações errôneas, além de outras, notoriamente descabidas em função da falta de empatia, sensibilidade e sentimentos de gênero, sem os quais impossível seria a formação de um juízo equilibrado e coerente com o sofrimento, a que a vítima fora acometida, fazendo com que essa sistemática resulte em obstáculos a serem enfrentados por elas, desmotivando-as a buscar, junto ao Estado, o devido amparo. Com o intuito de reverter o mencionado quadro, é imprescindível a atuação do Estado no campo educacional e cultural, para que se desconstrua a ideia de inferioridade da mulher e se lecione a igualdade dos direitos de liberdade e dignidade sexual entre os gêneros.