DE JERUSALÉM A JERICÓ ONTEM E HOJE: REINTERPRETANDO A PARÁBOLA DO BOM SAMARITANO PARA OS DIAS ATUAIS
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Resumo
O presente Trabalho de Conclusão de Curso (TCC) propõe a reinterpretação da Parábola do Bom Samaritano, registrada em Lucas 10:25-37, como um novo paradigma ético que confronta o legalismo religioso e o individualismo contemporâneo. A pesquisa se desenvolveu através da análise narrativa e da releitura hermenêutica, que busca explorar a "reserva-de-sentido" do mandamento do amor, com o auxílio da crítica ao legalismo de autores contemporâneos. O estudo contextualiza a profunda inimizade histórico-cultural entre judeus e samaritanos, que torna o Samaritano a escolha mais chocante e proposital de Jesus. A análise demonstra que a narrativa promove a inversão da pergunta original do legista — de uma busca por delimitação legal ("Quem é o meu próximo?") para um imperativo de ação e compaixão ("De quem eu me tornei próximo?"), transformando a questão da salvação em um imperativo prático. Os resultados indicam que a atitude omissa do Sacerdote e do Levita se deve, em parte, ao medo de violar a lei da santidade e se contaminar cerimonialmente, demonstrando que o conhecimento da lei sem a prática da misericórdia é vazio. Em contrapartida, o Samaritano, um personagem marginalizado e considerado inimigo, estabelece o modelo de comportamento evangélico ao priorizar a vida humana sobre a pureza ritual. Conclui-se que o amor a Deus e ao próximo se torna o princípio supremo que rompe barreiras sociais e se converte no caminho para a vida em plenitude.