DISTRIBUIÇÃO ESPAÇO-TEMPORAL DAS HOSPITALIZAÇÕES POR BRONQUITE E BRONQUIOLITE EM CRIANÇAS MENORES DE UM ANO NO PIAUÍ: UM ESTUDO ECOLÓGICO (2016–2025)
Dados do documento
Resumo
As Infecções Respiratórias Agudas (IRAs), classificadas em infecções do trato respiratório superior e inferior, permanecem entre as principais causas de adoecimento e de hospitalização infantil no Brasil. Assim, objetivou-se analisar a distribuição espacial e temporal das hospitalizações por bronquite e bronquiolite em crianças menores de um ano no estado do Piauí, no período de 2016 a 2025. Trata-se de um estudo epidemiológico, ecológico, com abordagem espacial e temporal. A área de estudo abrange o estado do Piauí, localizado na região Nordeste do Brasil. A partir de dados secundários disponibilizados pelo Departamento de Informática do Sistema Único de Saúde (DATASUS), por meio do Sistema de Informação Hospitalar (SIH/SUS) foi realizada análise de tendência temporal por meio do software Joinpoint Regression Program versão 4.6.0.0®. No período de 2016 a 2025, foram registradas 2.337 internações por bronquite aguda e bronquiolite aguda em crianças menores de um ano no Piauí, com predominância do sexo masculino (61,0%) e da raça/cor parda (72,0%). A maior concentração ocorreu na região Entre Rios (37,8%), seguida da Planície Litorânea (21,0%) e Cocais (12,5%). A análise temporal demonstrou tendência de redução entre 2016 e 2021 (APC = -11,4%; p = 0,5) e tendência crescente significativa entre 2021 e 2025 (APC = 52,0%; p = 0,04). No período total, houve tendência de aumento (AAPC = 12,6%), sem significância estatística. Na análise espacial, as taxas variaram de 0 a 19,4 por 1.000 habitantes, com maiores valores nas regiões Norte, Centro-Norte e Sudoeste. Após suavização bayesiana, as taxas variaram de 0,8 a 29,3, mantendo o mesmo padrão. O Índice de Moran Global foi 0,71 (p < 0,001), indicando forte autocorrelação espacial, com clusters de alto risco principalmente nas regiões Norte e Centro-Norte, e um risco relativo chegando a 2,84 em alguns municípios. O estudo contribui para a compreensão regional do problema e pode subsidiar o planejamento de políticas públicas voltadas à redução de hospitalizações evitáveis e à melhoria da saúde infantil.