ECOCARDIOGRAFIA FETAL NO DIAGNÓSTICO PRECOCE DE CARDIOPATIAS CONGÊNITAS: REVISÃO INTEGRATIVA
Dados do documento
Resumo
Objetivo: Analisar, na literatura científica, a importância da ecocardiografia fetal no diagnóstico precoce das cardiopatias congênitas e seu impacto no prognóstico neonatal. Método: Revisão integrativa realizada entre dezembro de 2025 e fevereiro de 2026, conduzida conforme as etapas metodológicas propostas por Whittemore e Knafl. A pergunta norteadora foi estruturada pela estratégia PICo, considerando fetos e neonatos com cardiopatias congênitas ou suspeita diagnóstica, a ecocardiografia fetal como fenômeno de interesse e o contexto pré-natal e neonatal. As buscas foram realizadas nas bases de dados BVS, LILACS, MEDLINE e SciELO, com recorte temporal de 2020 a 2025 e inclusão de estudos em português, inglês e espanhol. O processo de identificação, triagem, elegibilidade e inclusão foi organizado conforme o modelo PRISMA, e os estudos incluídos foram classificados quanto ao nível de evidência segundo o Oxford Centre for Evidence-Based Medicine. Resultados: Foram identificados 964 registros nas bases de dados consultadas. Após aplicar os filtros, remover as duplicatas, triar por título e resumo e ler os textos completos elegíveis, 11 estudos compuseram a amostra final. A síntese evidenciou que a ecocardiografia fetal apresenta elevada utilidade clínica no diagnóstico pré-natal das cardiopatias congênitas, especialmente nas formas maiores e críticas. Os achados foram organizados em cinco eixos: detecção e acurácia diagnóstica, rastreamento, manejo perinatal e neonatal, indicações do exame, inovação e desafios. Observou-se que protocolos estruturados, capacitação profissional, qualidade da imagem, integração entre os serviços e acesso oportuno à rede especializada são fatores determinantes para ampliar a efetividade do exame. Conclusão: A ecocardiografia fetal contribui para o diagnóstico precoce das cardiopatias congênitas e favorece o planejamento perinatal e neonatal, ao subsidiar a estratificação de risco, o aconselhamento familiar, a definição do local de parto e o preparo da equipe assistencial. Entretanto, persistem limitações relacionadas à detecção de lesões pequenas ou evolutivas, barreiras técnicas, desigualdades de acesso e heterogeneidade dos serviços. Recomenda-se a realização de estudos prospectivos, multicêntricos e longitudinais que avaliem seus efeitos sobre a mortalidade neonatal, o tempo até a intervenção cirúrgica, o neurodesenvolvimento, os custos assistenciais e a equidade no acesso ao cuidado especializado.