EFEITO DOS ANTI-HIPERTENSIVOS ORAIS NOS NÍVEIS SANGUÍNEOS DE ÁCIDO ÚRICO, GLICOSE, POTÁSSIO E SÓDIO EM IDOSOS.
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Resumo
A hipertensão arterial sistêmica (HAS) é uma condição clínica multifatorial caracterizada por níveis elevados e sustentados de pressão arterial. Em nível mundial, a hipertensão arterial é considerada a primeira causa de morbidade e mortalidade, sendo o principal fator de risco para o desenvolvimento de inúmeras patologias cardiovasculares. Desse modo, o tratamento farmacológico desta patologia é extremamente importante, tendo como principal objetivo a prevenção da ocorrência ou agravamento de eventos cardiovasculares e/ou renais. Deve ser iniciado em indivíduos hipertensos quando as mudanças no estilo de vida, por si só, não são suficientes para reduzir os valores da pressão arterial para valores considerados normais. Atualmente, existem várias classes disponíveis de fármacos anti-hipertensivos, que devem ser utilizados de forma adequada para cada paciente, tendo em consideração os possíveis efeitos metabólicos e/ou eletrolíticos que podem acarretar aos usuários. Os diuréticos, por exemplo, têm sido uma das classes de fármacos de primeira escolha no tratamento da hipertensão, tanto em monoterapia quanto em associação; seu uso pode estar associado à hipopotassemia, hiperuricemia e a um aumento da glicose em jejum. Dessa forma, o monitoramento bioquímico por meio de exames laboratoriais, dosagem sanguínea de eletrólitos e testes de função renal de pacientes em terapia anti-hipertensiva é de grande importância para que se possa detectar alterações relacionadas a reações adversas, metabólicos e/ou eletrolíticas, possivelmente provocadas por esses medicamentos, bem como evitar que estas reações causem efeitos graves ou permanentes aos usuários. Com base em tais informações, este trabalho objetiva comparar os níveis de ácido úrico, glicose, potássio e sódio em idosos usuários e não usuários de anti-hipertensivo oral, da cidade de Teresina – Piauí. Trata-se de um estudo do tipo caso-controle, realizado com 232 idosos com média de idade de 68,9 ± 7,4 anos, de ambos os sexos, sendo 116 usuários e 116 não usuários de anti-hipertensivo oral, no período de junho a outubro de 2014. Foi aplicado um questionário e, em seguida, realizada a coleta de sangue dos pacientes após jejum e dosados glicose, ácido úrico, sódio e potássio. A glicose e ácido úrico foram determinados pelo método enzimático colorimétrico em equipamento automatizado de marca Biosystem e modelo A-15, o sódio e o potássio foram dosados pelo método de eletrodo íon seletivo em equipamento da marca Maxíon. Após as dosagens, os resultados foram armazenados e em seguida analisados. Dos 116 usuários de anti-hipertensivo oral, 59,48% eram tratados em monoterapia, 37,94% utilizavam dois ou mais anti-hipertensivos; da classe de anti-hipertensivo mais utilizada, 40,5% foi o bloqueador de receptor AT1, seguida pelos IECA 37% e diuréticos 34,48%. Houve associação entre o uso de anti-hipertensivo e níveis sanguíneos de ácido úrico aumentado (p=0,040), os diuréticos estão relacionados a alterações nas dosagens sanguíneas de ácido úrico (p=0,02) quando comparadas às demais classes. Não houve diferença entre as concentrações séricas de glicose, sódio e potássio entre usuários e não usuários. Conclui-se que o uso de anti-hipertensivo, em especial os diuréticos, alteraram os níveis sanguíneos de ácido úrico em hipertensos usuários de anti-hipertensivo oral.