EFEITO INIBITÓRIO DE EXTRATOS DE MICROALGAS E CIANOBACTÉRIAS SOBRE A REPLICAÇÃO DO VÍRUS INFLUENZA E SUA ATIVIDADE NEURAMINIDASE
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Resumo
Os vírus Influenza causam infecções sazonais com sintomas que variam de leves a graves, circulam em todo o mundo e podem afetar pessoas de qualquer faixa etária. Portanto, essa infecção representa um grave problema de saúde pública, responsável por doenças graves e mortes, especialmente em populações de alto risco. Todos os anos, 0,5% da população mundial é infectada por esse patógeno, e essa porcentagem pode aumentar até dez vezes durante as pandemias. A vacinação contra influenza é a maneira mais eficaz de prevenir a doença. Além disso, os medicamentos antivirais são essenciais para intervenções profiláticas e terapêuticas. O oseltamivir (OST), um inibidor da neuraminidase viral, é o principal antiviral usado em clínicas durante surtos. No entanto, têm sido detectados vírus resistentes ao OST, que surgem naturalmente ou devido à pressão antiviral, com uma prevalência de 1-2% em todo o mundo. Assim, a busca por novos medicamentos anti-influenza é extremamente importante. Atualmente, vários grupos vêm desenvolvendo estudos investigando o potencial biotecnológico de microalgas e cianobactérias, incluindo a atividade antiviral de seus extratos. No Brasil, esse potencial ainda é pouco conhecido e explorado. Com o objetivo de ampliar o conhecimento sobre o tema, 38 extratos de microalgas e cianobactérias isolados de biomas marinhos e de água doce no Brasil foram testados quanto à toxicidade celular, replicação de vírus influenza sensíveis e resistentes ao OST, e atividade de neuraminidase viral. Para este propósito, células MDCK (Madin-Darby canine kidney - células de rim de cão) infectadas foram tratadas com 200 µg/mL de cada extrato. Um total de 17 extratos (45%) inibiu a replicação do vírus influenza A, com 7 deles resultando em mais de 80% de inibição. Além disso, ensaios funcionais realizados com a neuraminidase viral revelaram 2 extratos em acetato de etila (obtidos a partir de Leptolyngbya sp. e Chlorellaceae) com IC50 < 210 µg/mL para influenza A e B, de linhagens sensíveis e resistentes ao OST. Verificamos também que as células MDCK expostas a 1 mg/mL de todos os extratos apresentaram viabilidade superior a 80%. Nossos resultados sugerem que extratos de microalgas e cianobactérias têm propriedades promissoras anti-influenza. Assim, suas pesquisas químicas devem ser otimizadas para isolar os compostos ativos, com a finalidade de desenvolver novos medicamentos anti-influenza. Os dados gerados neste trabalho contribuem para o conhecimento do potencial biotecnológico dos biomas brasileiros, que ainda são pouco explorados para esta finalidade.