TCC2018

EFEITO INIBITÓRIO DE EXTRATOS DE MICROALGAS E CIANOBACTÉRIAS SOBRE A REPLICAÇÃO DO VÍRUS INFLUENZA E SUA ATIVIDADE NEURAMINIDASE

Dados do documento

Autor(es)
Aline Marcele Vieira dos Santos
Orientador(es)
Milene Dias Miranda
Tipo do documento
TCC
Ano de publicação
2018
Data de publicação
28 de abril de 2025
Nome do curso
Não informado
Palavras-chave
Extratos de microalgas. Antiviral. Influenza A.

Resumo

Os vírus Influenza causam infecções sazonais com sintomas que variam de leves a graves, circulam em todo o mundo e podem afetar pessoas de qualquer faixa etária. Portanto, essa infecção representa um grave problema de saúde pública, responsável por doenças graves e mortes, especialmente em populações de alto risco. Todos os anos, 0,5% da população mundial é infectada por esse patógeno, e essa porcentagem pode aumentar até dez vezes durante as pandemias. A vacinação contra influenza é a maneira mais eficaz de prevenir a doença. Além disso, os medicamentos antivirais são essenciais para intervenções profiláticas e terapêuticas. O oseltamivir (OST), um inibidor da neuraminidase viral, é o principal antiviral usado em clínicas durante surtos. No entanto, têm sido detectados vírus resistentes ao OST, que surgem naturalmente ou devido à pressão antiviral, com uma prevalência de 1-2% em todo o mundo. Assim, a busca por novos medicamentos anti-influenza é extremamente importante. Atualmente, vários grupos vêm desenvolvendo estudos investigando o potencial biotecnológico de microalgas e cianobactérias, incluindo a atividade antiviral de seus extratos. No Brasil, esse potencial ainda é pouco conhecido e explorado. Com o objetivo de ampliar o conhecimento sobre o tema, 38 extratos de microalgas e cianobactérias isolados de biomas marinhos e de água doce no Brasil foram testados quanto à toxicidade celular, replicação de vírus influenza sensíveis e resistentes ao OST, e atividade de neuraminidase viral. Para este propósito, células MDCK (Madin-Darby canine kidney - células de rim de cão) infectadas foram tratadas com 200 µg/mL de cada extrato. Um total de 17 extratos (45%) inibiu a replicação do vírus influenza A, com 7 deles resultando em mais de 80% de inibição. Além disso, ensaios funcionais realizados com a neuraminidase viral revelaram 2 extratos em acetato de etila (obtidos a partir de Leptolyngbya sp. e Chlorellaceae) com IC50 < 210 µg/mL para influenza A e B, de linhagens sensíveis e resistentes ao OST. Verificamos também que as células MDCK expostas a 1 mg/mL de todos os extratos apresentaram viabilidade superior a 80%. Nossos resultados sugerem que extratos de microalgas e cianobactérias têm propriedades promissoras anti-influenza. Assim, suas pesquisas químicas devem ser otimizadas para isolar os compostos ativos, com a finalidade de desenvolver novos medicamentos anti-influenza. Os dados gerados neste trabalho contribuem para o conhecimento do potencial biotecnológico dos biomas brasileiros, que ainda são pouco explorados para esta finalidade.