EFEITOS DA PSICOSE PUERPERAL NA RELAÇÃO MÃE-BEBÊ: IMPACTOS E ESTRATÉGIAS DE INTERVENÇÃO - UMA REVISÃO SISTEMÁTICA DA LITERATURA
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Resumo
INTRODUÇÃO: A Psicose Puerperal é um transtorno mental grave e multifatorial, prevalente em 1-2 por 1000 nascimentos, que ocorre nas primeiras semanas após o parto, podendo durar por meses. Caracteriza-se por sintomas psicóticos como agitação, confusão mental e alucinações, causando repercussões na relação entre a mãe o e bebê. O tratamento envolve tanto fármacos, como lítio e moduladores hormonais, quanto orientação psicológica, a fim de reestabelecer a saúde mental. Esta pesquisa propõe avaliar as consequências da psicose puerperal no vínculo materno-infantil, considerando as implicações no desenvolvimento do neonato. OBJETIVO: Analisar, de modo crítico e integrador, por meio de uma revisão sistemática de literatura, como a psicose puerperal interfere na constituição do vínculo materno infantil, com ênfase nos seus efeitos sobre a saúde mental da puérpera e nas repercussões no desenvolvimento inicial do bebê. METODOLOGIA: Trata-se de uma revisão sistemática de literatura, seguindo as recomendações do método PRISMA. A estratégia de busca foi realizada nas bases de dados PubMed, BVS e Periódico Capes, com a finalidade de reconhecer os estudos relevantes sobre psicose puerperal publicados entre 2019 a 2024 nos idiomas português, inglês e espanhol. Após os critérios de exclusão e inclusão, foram selecionados 18 estudos. RESULTADOS: Os estudos evidenciaram que a psicose puerperal é uma emergência psiquiátrica que compromete diretamente a relação díade mãe-bebê, uma vez que foram identificadas alterações neuroendócrinas que promovem instabilidades emocionais gerando sentimento de culpa, medo e desesperança. Ademais, observou-se uma subnotificação dessa condição psíquica, sobretudo devido ao estigma social de sintomas psicóticos bem como a baixa cobertura de psiquiatras nos serviços médicos, o que compromete o diagnóstico precoce e o manejo adequado dessa condição de saúde. CONCLUSÃO: O manejo da psicose puerperal deve fundamentar-se em três pilares essenciais: farmacológico, psicossocial e institucional. Nesse contexto, destaca-se o uso de estabilizadores do humor, especialmente o lítio, considerado o fármaco padrão-ouro no tratamento dessa condição. Associadamente, é imprescindível a realização de intervenções psicossociais, com o objetivo de ampliar a compreensão dos sintomas tanto para a mãe quanto para familiares. Ressalta-se, ainda, a necessidade de aprofundar o conhecimento científico sobre o tema por meio de estudos mais amplos e representativos, capazes de contemplar as diferentes realidades maternas existentes na sociedade.