EFEITOS DO CIGARRO ELETRÔNICO NOS TECIDOS PERIODINTAIS
Dados do documento
Resumo
Introdução: conhecidos como cigarro eletrônico, vaper, pod, jull entre outros, os Dispositivos Eletrônicos para Fumar (DEF) vem ganhando popularidade nos últimos anos como alternativa menos danosa que o cigarro convencional. Os perigos causados a cavidade oral mediante o uso de produtos do tabaco e da nicotina são de amplo conhecimento dos cirurgiões dentistas, como halitose e agravamento das lesões da mucosa oral. A interação mais danosa do tabagismo a saúde bucal é o desenvolvimento da periodontite, com alta prevalência e gravidade da doença, mas ainda não se sabe com clareza quais impactos os DEFs podem causar a saúde periodontal. Objetivo: identificar quais danos o uso do cigarro eletrônico pode causar a estrutura periodontal, comparando o periodonto de pessoas usuárias de cigarro eletrônico, cigarro tradicional e não fumantes, bem como, analisar o potencial risco a saúde periodontal a curto e longo prazo de uso em relação ao cigarro convencional. Metodologia: revisão integrativa da literatura na base de dados PubMed realizada em abril e maio de 2023, com a elaboração da pergunta de pesquisa e da estratégia de busca pela estratégia PICo. Para a seleção dos artigos não houve restrição cronológica nem de idioma, sendo elegíveis aqueles que correspondessem a temática e a pergunta norteadora. Resultados: foram identificados com a busca inicial um total de 54 artigos. As etapas de buscas e seleção dos artigos foram baseadas no fluxograma Prisma. Nove estudos foram adequados para preencher a questão de pesquisa. A extração e ordenamento de dados foram realizados em formato de tabela. Foi utilizada a ferramenta de avaliação crítica do Instituto Joanna Briggs, para os estudos de revisão sistemática e os estudos transversais. Discussão: o dano às estruturas periodontais foi um achado comum nos estudos analisados, porém há diferentes abordagens. Os fumantes de cigarro eletrônico apresentaram pior situação periodontal do que os não fumantes, com maior índice de placa e profundidade de sondagem, mas com valores menores quando comparados aos fumantes tradicionais de cigarro, tendo o fator tempo como agravante. O sangramento à sondagem foi menor nos usuários de cigarro eletrônico, contudo o acúmulo de placa é maior nos mesmos. A probabilidade de aumento da inflamação periodontal e dos níveis de citocinas pró-inflamatórias do GCF em usuários de cigarro eletrônico do que em nunca fumantes é considerável. Assim, apesar da provável atenuação dos sinais clínicos periodontais, o cigarro eletrônico não demonstra ser uma alternativa segura para a cessação do tabagismo convencional. Conclusão: os efeitos do cigarro eletrônico relatados nesta revisão não são suficientes para identificar com clareza os danos periodontais causados pelo mesmo. Estudos com maior qualidade metodológica e com duração maior são necessários, entretanto os resultados apontam para uma piora na saúde periodontal com a exposição a longo prazo.