TCC2020

ENDOCARDITE NA GRAVIDEZ E PUERPÉRIO

Dados do documento

Autor(es)
Fernanda Medeiros de Oliveira; Maria Theresa Fraife
Orientador(es)
Cristiane da Cruz Lamas
Tipo do documento
TCC
Ano de publicação
2020
Data de publicação
28 de abril de 2025
Nome do curso
Não informado
Palavras-chave
Endocardite infecciosa. Gestante. Puerpério. Valvopatia reumática. Prótese. Mortalidade.

Resumo

Introdução: A Endocardite infecciosa relacionada à gestação e puerpério, apesar de incomum, é muito grave. Seu reconhecimento clínico e manejo adequado podem aumentar a sobrevida tanto da mãe quanto do feto. Objetivos: Comparar os casos de endocardite infecciosa relacionadas à gravidez e puerpério em coorte de adultos com EI do INC com dados de literatura sobre o tema. Métodos: Foram buscados e descritos casos de EI relacionados à gestação e puerpério no banco de estudo prospectivo de pacientes adultos com EI definitiva no INC, nos anos de 2006 a 2019. Foi feita revisão de literatura sobre o tema e compilados os relatos de casos da literatura de endocardite relacionada à gravidez e puerpério a partir de 2014. Resultados: Foram encontrados 2 casos de EI associada à gestação ou puerpério em 370 pacientes adultos com EI definitiva, de janeiro de 2006 a dezembro de 2019, com prevalência de 0,5% da coorte, e de 2/133 dentre as mulheres (1,5%). Considerando mulheres em idade fértil adultas na coorte (18 a 49 anos), a prevalência de EI associada à gestação e puerpério (EIGP) foi de 2/81 (2,5%). Dos casos descritos do banco do INC, a puérpera com valvopatia reumática e EI aguda de válvula aórtica por Streptococcus anginosus evoluiu para óbito enquanto a gestante de 1º trimestre, portadora de próteses mecânicas mitral e aórtica, com trombose e endocardite da prótese aórtica, hemoculturas negativas, sobreviveu, mas teve abortamento espontâneo no pós operatório de troca valvar . A busca por relatos de casos publicados de 2014 a 2019 resultou em 54 episódios de EIGP encontrados; nestes, 3 gestantes (5,7%), 7 fetos (14%) e 1 recém-nato prematuro (2%) evoluíram para óbito. Tinham predisposição valvar 13 (24%). A válvula mitral foi acometida em 23(42,5%) dos casos, aórtica em 16(29,6%) e tricúspide em 11(20,3%) dos casos. O agente infeccioso mais encontrado, em 17/54 (31,4%) foi Staphylococcus aureus sensível a meticilina. Conclusões: A predisposição valvar para EI na literatura possui alta frequência (24%). S.aureus sensível, foi o agente infeccioso relacionado a EI na gravidez e puerpério mais frequente em nossa revisão. A mortalidade foi relativamente baixa para as mães (5,7%), mas foi quase 3 vezes maior em seus filhos, fazendo a EIGP uma condição grave. O diagnóstico de valvopatia ou presença de prótese deve ser reconhecido para na situação de febre sem foco óbvio, EI ser pensada e o diagnóstico ser buscado diligentemente.