ESTIMULAÇÃO CEREBRAL PROFUNDA DO NÚCLEO BASAL DE MEYNERT PARA O TRATAMENTO DA DOENÇA DE ALZHEIMER: UMA REVISÃO SISTEMÁTICA
Dados do documento
Resumo
INTRODUÇÃO: A Doença de Alzheimer é uma doença neurodegenerativa caracterizada por um declínio progressivo das funções cognitivas, impactando na autonomia e na qualidade de vida dos acometidos e dos cuidadores. Seu tratamento envolve medidas farmacológicas e nãofarmacológicas que buscam retardar o declínio cognitivo, porém a progressão da doença é inevitável com os tratamentos atuais. Dessa forma a estimulação cerebral profunda surge como uma possível alternativa visando retardar a progressão e atenuar os sintomas dessa doença, entre os alvos estimulados está o núcleo basal de Meynert a maior fonte de neurônios colinérgicos envolvidos na atenção e na memória. O objetivo dessa revisão é avaliar os desfechos cognitivos e a segurança da estimulação cerebral profunda no núcleo basal de Meynert em pacientes com Doença de Alzheimer. METODOLOGIA: trata-se de uma revisão sistemática com síntese qualitativa dos dados de acordo com as recomendações do Cochrane, que segue o fluxograma PRISMA com busca realizada por meio das bases de dados CENTRAL, Embase e MEDLINE, os estudos incluídos foram identificados por dois revisores independentes e foram incluídos ensaios clínicos randomizados e estudos de coorte envolvendo pacientes com Doença de Alzheimer submetidos à estimulação cerebral profunda no núcleo basal de Meynert, com desfechos cognitivos avaliados de forma padronizada e quantificável. RESULTADOS: foram incluídos 3 estudos após o processo de seleção completo. Os resultados avaliados indicam que a melhora cognitiva da estimulação cerebral profunda não mantém uma continuidade após 12 meses de aplicação da intervenção, já no quesito dos desfechos secundários neuropsiquiátricos avaliados essa melhora se perpetua e é duradoura. A intervenção se mostrou segura por não ter tido nenhum relato de efeito adverso grave nos estudos avaliados. DISCUSSÃO: os achados nos estudos são amplamente reforçados pela literatura, evidenciando que a estimulação cerebral profunda no núcleo basal de Meynert pode representar não apenas uma estratégia de preservação cognitiva, mas uma abordagem multidimensional de neuromodulação na Doença de Alzheimer, o perfil de segurança favorável e os benefícios consistentes sobre sintomas neuropsiquiátricos e qualidade do sono justificam a continuidade da investigação clínica, especialmente em pacientes refratários ao tratamento farmacológico convencional e com sobrecarga sintomática expressiva. CONCLUSÃO: esta revisão evidenciou a viabilidade e importância da estimulação cerebral profunda no contexto da Doença de Alzheimer, sendo essencial a confirmação desses achados em ensaios clínicos randomizados controlados para definição terapêutica.