ESTUDO COMPARATIVO ENTRE SALVAMENTO OU AMPUTAÇÃO DE MEMBRO INFERIOR POR DOENÇA ARTERIAL PERIFÉRICA.
Dados do documento
Resumo
Introdução: A doença arterial periférica é um acometimento sistêmico, crônico e progressivo de territórios distais à aorta devido a uma estenose, ou oclusão da luz arterial. Sua prevalência aumenta com a idade, chegando a cerca de 20% aos 80 anos. Cerca de 25% são sintomáticos. O sintoma mais comum é claudicação intermitente. Isquemia crítica de membro é sua forma mais grave que pode se apresentar por dor em repouso e úlcera ou lesão trófica isquêmica. É um estado grave com risco de perda de membro. Normalmente seu tratamento é cirúrgico através de revascularização. Amputações de membro podem ser necessárias. Objetivos: Analisar pacientes com doença arterial periférica submetidos a procedimento de revascularização ou amputação de membro; comparar o grupo com salvamento de membro ao de submetidos a amputação de membro; procurar diferenças estatísticas entre os dois grupos quanto: à idade, sexo, presença de fatores de risco conhecidos, quadro clínico e localização da lesão/úlcera; encontrar a taxa de mortalidade durante a internação dos dois grupos; comparar o subgrupo dos pacientes com amputação primária com amputação secundária; propor um projeto para implantação de ambulatório multiprofissional de reabilitação para pacientes com amputação de membro. Métodos: É um estudo descritivo, observacional, retrospectivo, com abordagem quantitativa. Os dados foram obtidos de prontuários de pacientes internados com isquemia crítica no Hospital Getúlio Vargas em Teresina/PI no período de 1º de janeiro a 31 de dezembro de 2017. Foram divididos em 2 grupos: submetidos a revascularização que tiveram o membro salvo (grupo 1) e outro que foram submetidos a amputação de membro inferior (grupo 2).Resultados: Foram pesquisados 78 prontuários, sendo 51 no grupo 1e 27 no grupo 2, destes 3 (12,5%) foram a óbito durante a internação. O número de óbitos foi significante maior (p = 0,015) no grupo 2. A idade média do grupo 1 foi de 67,6 anos (variando de 41 a 91 anos), menor que a do 2 que foi de 71,5 anos (variando de 49 a 87 anos).O grupo 1 foi formado por 28 homens (54,9%) e o 2 por 13 homens (54,1%). Houve maior presença de comorbidades no grupo 2 (p < 0,05). Sendo a hipertensão arterial a mais prevalente em ambos os grupos, seguida da diabetes mellitus e tabagismo. A localização e extensão da lesão teve impacto no desfecho levando à amputação de membro (p < 0,01). Lesões no retropé ou úlceras em perna evoluíram com maior frequência para amputação. Tempo de internação não teve diferença entre os grupos. O grupo 2 foi formado por 18 casos de amputação primária (75%).O risco cardíaco apresentou diferença estatística entre os dois grupos (p < 0,001). Conclusão: O grupo 2 parece ter maior gravidade, fato verificado pela maior quantidade de comorbidades, óbitos e risco cardíaco. A ferida isquêmica localizada em retropé ou perna e infecção foram associadas à amputação. O tempo de internação não teve diferença, assim como sexo ou idade.