FATORES ASSOCIADOS AO CRESCIMENTO DE CRIANÇAS MENORES DE CINCO ANOS.
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Resumo
O crescimento é um processo dinâmico e contínuo, associado a fatores intrínsecos e extrínsecos, existindo uma interface entre os fatores ambientais e os herdados, por ação dos mecanismos epigenéticos. Os períodos de sua maior aceleração, entre eles, os primeiros anos de vida, são considerados críticos para a ocorrência de modificações na estrutura ou função do organismo. Seu acompanhamento, com a utilização das medidas antropométricas possibilita a detecção precoce de situações de risco e de agravos nutricionais que podem conduzir a inadequações. O estudo tem como objeto os fatores que apresentem associação com as inadequações do crescimento de crianças menores de cinco anos do grupo estudado. O objetivo portanto é, investigar fatores associados ao crescimento de crianças menores de cinco anos, especificamente: socioeconômicos, sexo, peso ao nascer, aleitamento materno, situação vacinal, frequência ao pré-natal, frequência de doenças intercorrentes e a frequência alimentar, relacioná-los com os agravos nutricionais observados nas crianças estudadas e elaborar protocolo para coleta e análise de dados antropométricos em crianças. Trata-se de estudo observacional, descritivo, de abordagem quantitativa, transversal realizado com 396 crianças menores de cinco anos em uma clínica escola de Teresina – Piaui. Os dados foram produzidos por meio de questionários estruturados e efetuadas medidas antropométricas das crianças. Avaliação antropométrica foi executada de acordo com o software Anthro-2007 da Organização Mundial de Saúde. A análise estatística utilizou o programa Statistical Package for the Social Science. Os resultados foram apresentados sob a forma de frequência absoluta e relativa. As relações entre todas as variáveis e as inadequações do crescimento foram testadas pelo qui-quadrado (análise bivariada), a partir do qual foram montados modelos de regressão logística múltipla (análise multivariada) tendo como variáveis resposta o excesso de peso e a estatura inadequada. A prevalência de estatura inadequada em 6,8% das crianças foi semelhante à média nacional, contraposta aos altos valores encontrados para o risco de sobrepeso, sobrepeso e obesidade, os quais atingiram juntos quase 30% da população da amostra. O sexo masculino e consumo de refrigerantes aumentaram a chance de ocorrência de excesso de peso. A realização de 5 ou mais consultas de pré-natal foi associada à prevalência de estatura adequada para a idade. Os fatores sócios econômicos, o aleitamento materno, as doenças pregressas, situação vacinal, peso ao nascer e a frequência alimentar não foram, neste estudo, associados às inadequações do crescimento, no estrato populacional pesquisado. Os achados podem contribuir para elaboração de protocolos e ações de intervenção na realidade local, além de servir como ponto de partida para investigações futuras.