Dissertações2019

FORMAÇÃO DO ENFERMEIRO DA ESTRATÉGIA SAÚDE DA FAMÍLIA NO ATENDIMENTO A PESSOA COM DEFICIÊNCIA AUDITIVA

Dados do documento

Autor(es)
Danilo Sampaio Souza
Orientador(es)
Eliana Campêlo Lago
Tipo do documento
Dissertações
Ano de publicação
2019
Data de publicação
13 de junho de 2019
Nome do curso
Mestrado
Nome da Unidade
Afya Teresina
Palavras-chave
Perda auditiva. Estratégia saúde da família. Formação continuada. Assistência integral a saúde.

Resumo

Introdução: As dificuldades de comunicação entre pacientes e profissionais da saúde são frequentes. Durante a formação do enfermeiro da ESF, percebe-se que não há uma preparação específica para atender os pacientes com deficiência auditiva. Essa formação crucial deve estar voltada para os princípios da humanização do cuidado da saúde do deficiente auditivo. Objetivo: Este estudo objetivou conhecer a formação do enfermeiro da Estratégia Saúde da Família no atendimento a pessoa com deficiência auditiva; Descrever as dificuldades de comunicação dos enfermeiros da Estratégia Saúde da Família com o deficiente auditivo; Relatar as estratégias de comunicação utilizadas pelos enfermeiros da Estratégia Saúde Família para o atendimento ao deficiente auditivo; Elaborar uma cartilha de educação permanente para os enfermeiros da estratégia saúde da família, buscando maior qualidade no atendimento a pessoa com deficiência auditiva. Métodos: estudo descritivo, exploratório, com abordagem qualitativa, realizado com todos os enfermeiros (20) que desenvolviam atividades no Centro de Saúde da Família no município de São Benedito – CE. Na coleta de dados utilizou-se um roteiro semiestruturado de entrevista, cujos dados foram analisados utilizando a técnica de análise de conteúdo do tipo temática. Resultados: No estudo, 60% dos entrevistados eram maiores de 30 anos, sendo a maioria do sexo feminino; com tempo de formação menor que dez anos (70%); com experiência na ESF menor que 10 anos (75%); a maioria dos entrevistados possuía uma ou duas pós-graduações na área. Quase a totalidade relatou que não tivera formação acadêmica para o atendimento específico desses pacientes. Após a análise das falas dos entrevistados, emergiram três categorias temáticas, a saber: Dificuldades de comunicação, em que foi possível observar que os participantes possuíam déficits principalmente por falta de formação na graduação e no ambiente de trabalho; Estratégias de Comunicação na qual verificou-se que a comunicação era feita basicamente com o acompanhante e/ou familiar, o que distancia o profissional do cliente; Importância da Comunicação, na qual os enfermeiros conhecem e sabem da importância de uma boa comunicação no atendimento porém, foi unânime a necessidade que o profissional tem de, no momento do atendimento, contar com a presença de um familiar e/ou responsável, demonstrando fragilidade neste processo, haja visto a não-capacitação dos mesmos. Quanto às dificuldades muitos relataram que o atendimento foi intermediado pelo acompanhante, alguns profissionais utilizavam de mímica ou escrita para os pacientes alfabetizados. Foi possível evidenciar em todas as falas dos entrevistados a importância de se ter uma formação voltada para a comunicação do enfermeiro com o deficiente auditivo, a fim de evitar que a companhia de um familiar, durante a consulta, retire a individualidade do mesmo. Conclusão: Na perspectiva dos participantes deste estudo, foi possível concluir que os enfermeiros da ESF enfrentam dificuldades no que diz respeito à informação prestada aos deficientes auditivos e na compreensão do paciente a partir de sua forma de comunicar-se. Foi elaborada uma cartilha educativa: “Entre mãos, gestos e olhos: a comunicação enfermeiro e deficiente auditivo nos centros de Saúde da Família” sobre o atendimento da pessoa com deficiência auditiva na Estratégia Saúde da Família.