TCC2024

IMPACTOS OCULTOS DA PANDEMIA: DESVENDANDO O DUPLO DESAFIO ENTRE TUBERCULOSE E COVID-19

Dados do documento

Autor(es)
Heloisa Griese Luciano dos Santos; Rodolfo Matias de Melo
Orientador(es)
Raquel Fernandes de Barros Noboa; Marcia Silveira Ney
Tipo do documento
TCC
Ano de publicação
2024
Data de publicação
16 de junho de 2025
Nome do curso
Não informado

Resumo

A tuberculose (TB) é uma doença conhecida mundialmente desde o século XIX pelas elevadas taxas de mortalidade, sendo nomeada, no princípio, como “peste branca”. No século XX, foi observado que a medida que a condição de vida das populações de tuberculose no Brasil e no mundo durante esse período.5 O impacto da pandemia também foi observado no Brasil, pois houve uma grande queda no número de pessoas diagnosticadas com a doença nos anos de 2020 em comparação ao ano de 2019. No primeiro ano da pandemia ocorreu uma redução de 12,1% no coeficiente de incidência da tuberculose, passando de 37,9 casos a cada 100 mil habitantes em 2019 para 33,3 casos a cada 100 mil habitantes em 2020. No ano de 2021 foram registrados 34,9 casos a cada 100 mil habitantes, em 2022, 36,3 casos evidenciando um valor inferior aos anos pré-pandêmicos. melhorava, havia redução da incidência e da mortalidade relacionada a essa doença. 1 No início da década de 1980, a TB aumentou, globalmente, devido à emergência da infecção pelo Vírus da Imunodeficiência Humana (HIV) nos países com alta renda e, nos países de baixa renda, devido à crescente pobreza e do processo de urbanização ambicioso e sem controle, associado a desestruturação dos serviços de saúde e dos programas de controle da tuberculose. 1 Em 1993, a Organização Mundial da Saúde (OMS) reconheceu a tuberculose como uma epidemia global. 2 A TB tem como agente etiológico sete espécies que integram o complexo Mycobacterium tuberculosis: M. tuberculosis, M. bovis, M. africanum, M. canetti, M. microti, M. pinnipedi e M. coprae. O M. tuberculosis, também conhecido como Bacilo de Koch, é considerado a espécie mais relevante para a saúde pública. O Bacilo de Koch é um Bacilo Álcool-Ácido Resistente (BAAR), aeróbico, com parede celular abundante em lipídeos (ácido micólicos e arabioogalactano), fino, pouco curvo e mede aproximadamente de 0,5 a 3 μm. 1,3 A transmissão ocorre pelo sistema respiratório, através da inalação de aerossóis pelas vias aéreas que são expelidos pela tosse, pelo espirro ou pela fala de pessoas com TB pulmonar ou laríngea. Destaca-se que as duas formas de TB ativas capazes de transmitir a doença são essas.3 No Brasil, há uma dicotomia social que deve ser considerada ao avaliar os altos índices de TB no país. A miséria e a fome vulnerabilizam as pessoas, aumentando o risco de infecção por esta doença, assim como a interrupção ao seu tratamento.4 Segundo a OMS5 (2022), em seu Relatório Global da Tuberculose, esta é descrita como “doença transmissível, sendo uma das principais causas de problema de saúde e morte em todo mundo até a pandemia do Corona Vírus Disease (COVID)-19, ficando acima do HIV/AIDS como principal causa de morte por um único agente infeccioso”. As principais conclusões deste relatório relatam sobre o impacto prejudicial da pandemia de COVID-19 no acesso ao diagnóstico e tratamento da TB, que provocou uma grande queda global no número de pessoas tratadas e diagnosticadas. A OMS ratificou a existência de uma lacuna no alcance das metas para redução do coeficiente de incidência