IMPLEMENTAÇÃO GLOBAL DO PROTOCOLO DA OMS PARA CIRURGIA SEGURA-REVISÃO INTEGRATIVA
Dados do documento
Resumo
A segurança cirúrgica tornou-se uma preocupação central devido ao aumento global dos procedimentos, com cerca de 240 milhões de cirurgias realizadas anualmente. Estima-se que metade das complicações e mortes relacionadas a cirurgias poderia ser evitada através de práticas adequadas, como o uso da Lista de Verificação de Cirurgia Segura da Organização Mundial de Saúde (OMS), lançada em 2008. O protocolo visa padronizar procedimentos para reduzir erros, melhorar a comunicação entre a equipe cirúrgica e aumentar a segurança do paciente. Este estudo realizou uma revisão integrativa sobre a implementação do protocolo da OMS em diversos países, analisando contribuições, desafios e práticas observadas. Foram selecionados artigos publicados entre 2019 e 2024, com buscas em bases de dados como BVS, LILACS, Portal Capes, Medline e SciELO. A seleção focou em estudos que abordassem diretamente a implementação do protocolo em diferentes contextos geográficos e institucionais. Os resultados mostraram avanços significativos em alguns países, mas também revelaram desafios. No Paquistão, por exemplo, Hamza K. Toru e colegas relataram que a adesão ao checklist aumentou após intervenções educacionais, embora a manutenção das melhorias a longo prazo ainda fosse difícil. No Brasil, Silva et al. identificaram baixa adesão ao checklist em dois hospitais terciários, indicando a necessidade de estratégias mais eficazes para garantir o cumprimento do protocolo. No Reino Unido, a resistência cultural e a necessidade de adaptação local do protocolo foram citadas como os principais desafios, enquanto na Zâmbia, Munthali et al. destacaram a falta de infraestrutura e apoio das lideranças hospitalares como barreiras significativas. A revisão também mostrou que intervenções educacionais e a adaptação local do protocolo são cruciais para seu sucesso. Em uma revisão sistemática de Liu e Mehigan, 24 estudos analisaram a conformidade com o protocolo, mostrando resultados positivos, mas também indicando a necessidade de medidas mais padronizadas para avaliar a implementação, especialmente em países em desenvolvimento. Embora a adoção do protocolo tenha melhorado a segurança em muitos contextos, desafios como a falta de recursos, resistência por parte das equipes e a necessidade de treinamento contínuo ainda persistem. A adaptação do protocolo à realidade de cada país é fundamental para garantir sua eficácia.