IMUNOMODULAÇÃO MEDIADA PELA MICROBIOTA EM DOENÇAS AUTOIMUNES: ARTRITE REUMATÓIDE E LÚPUS ERITEMATOSO SISTÊMICO
Dados do documento
Resumo
Este trabalho é uma revisão de dados que correlacionam a microbiota intestinal às doenças autoimunes, artrite reumatoide (AR) e lúpus eritematoso sistêmico (LES). LES e AR são doenças autoimunes crônicas caracterizadas pela perda da tolerância imunológica e pela ativação exacerbada de respostas inflamatórias. Enquanto o LES apresenta manifestações sistêmicas, envolvendo múltiplos órgãos e tecidos, a AR se concentra principalmente nas articulações, levando à dor, rigidez e destruição progressiva da cartilagem. Em ambas, a produção de autoanticorpos e a expansão de células T e B autorreativas desempenham papel central na patogênese, sendo cada vez mais reconhecido o impacto da microbiota intestinal na modulação da resposta imune e na progressão dessas enfermidades, o que abre novas perspectivas terapêuticas.Foram analisados dados clínicos e experimentais de pacientes com AR que mostraram aumento do filo Actinobacteria e da bactéria Collinsella aerofaciens que foram relacionados com a ativação de vias inflamatórias (produção de IL-17 e NFκB) e comprometimento da barreira intestinal, intensificando a inflamação articular. Ademais, o tratamento com o composto SIN demonstrou capacidade de redução da inflamação, produção de autoanticorpos e melhora da estrutura articular. Esses efeitos foram mediados pela microbiota intestinal. No contexto de LES, foi revelado que a translocação de Enterococcus gallinarum induz a expressão aumentada de genes de autoanticorpos como ERV gp70 e β2GPI e de citocinas pró-inflamatórias, contribuindo para a expansão de células Th17 e produção de interferon I, marcadores importantes na autoimunidade sistêmica. Conclui-se que a microbiota intestinal atua modulando a resposta imune em AR e LES. A identificação de patobiontes e o uso de compostos bioativos como o SIN podem ser vistos como novas estratégias para melhoria do manejo clínico de doenças autoimunes. O estudo sobre doenças autoimunes exige progressão continua, pois é fundamental compreender os desequilíbrios do sistema imunológico para proporcionar melhora na qualidade de vida do paciente.