TCC2025

IMUNOMODULAÇÃO MEDIADA PELA MICROBIOTA EM DOENÇAS AUTOIMUNES: ARTRITE REUMATÓIDE E LÚPUS ERITEMATOSO SISTÊMICO

Dados do documento

Autor(es)
Sthefany Maia Carneiro
Orientador(es)
Gustavo Guadagnini Perez
Tipo do documento
TCC
Ano de publicação
2025
Data de publicação
10 de fevereiro de 2026
Nome do curso
Não informado
Palavras-chave
Artrite reumatoide. Lúpus eritematoso sistêmico. Barreira intestinal. Microbiota intestinal. Disbiose.

Resumo

Este trabalho é uma revisão de dados que correlacionam a microbiota intestinal às doenças autoimunes, artrite reumatoide (AR) e lúpus eritematoso sistêmico (LES). LES e AR são doenças autoimunes crônicas caracterizadas pela perda da tolerância imunológica e pela ativação exacerbada de respostas inflamatórias. Enquanto o LES apresenta manifestações sistêmicas, envolvendo múltiplos órgãos e tecidos, a AR se concentra principalmente nas articulações, levando à dor, rigidez e destruição progressiva da cartilagem. Em ambas, a produção de autoanticorpos e a expansão de células T e B autorreativas desempenham papel central na patogênese, sendo cada vez mais reconhecido o impacto da microbiota intestinal na modulação da resposta imune e na progressão dessas enfermidades, o que abre novas perspectivas terapêuticas.Foram analisados dados clínicos e experimentais de pacientes com AR que mostraram aumento do filo Actinobacteria e da bactéria Collinsella aerofaciens que foram relacionados com a ativação de vias inflamatórias (produção de IL-17 e NFκB) e comprometimento da barreira intestinal, intensificando a inflamação articular. Ademais, o tratamento com o composto SIN demonstrou capacidade de redução da inflamação, produção de autoanticorpos e melhora da estrutura articular. Esses efeitos foram mediados pela microbiota intestinal. No contexto de LES, foi revelado que a translocação de Enterococcus gallinarum induz a expressão aumentada de genes de autoanticorpos como ERV gp70 e β2GPI e de citocinas pró-inflamatórias, contribuindo para a expansão de células Th17 e produção de interferon I, marcadores importantes na autoimunidade sistêmica. Conclui-se que a microbiota intestinal atua modulando a resposta imune em AR e LES. A identificação de patobiontes e o uso de compostos bioativos como o SIN podem ser vistos como novas estratégias para melhoria do manejo clínico de doenças autoimunes. O estudo sobre doenças autoimunes exige progressão continua, pois é fundamental compreender os desequilíbrios do sistema imunológico para proporcionar melhora na qualidade de vida do paciente.