TCC2023

INFECÇÃO PUERPERAL DURANTE A HOSPITALIZAÇÃO

Dados do documento

Autor(es)
Letícia Correia Bezerra; Pâmela Leite dos Santos; Thainá dos Santos Torres
Orientador(es)
Maria de Fatima N do Amaral
Tipo do documento
TCC
Ano de publicação
2023
Data de publicação
16 de junho de 2025
Nome do curso
Não informado

Resumo

Através da vivência obtida durante o Ensino Clínico, enquanto acadêmica de enfermagem, em uma maternidade na região Metropolitana do Estado do Rio de Janeiro, foi oportunizado auxiliar os cuidados a uma nutriz que teve sua reinternação na unidade hospitalar com infecção de sítio cirúrgico e foi informado que haviam outras nutrizes com o mesmo caso clínico, sugestivo de Infecções Relacionadas à Assistência à Saúde (IRAS), levou a reflexão sobre o impacto desse quadro clínico em mulheres que se encontram em um momento onde necessitam dar atenção exclusiva ao RN, levando a pensar em quais as ações de Enfermagem asseguram o paciente e podem minimizar o risco das Infecções Relacionadas à Assistência à Saúde (IRAS) no puerpério. Viver a experiência que nos foi oportunizada durante o atendimento a nutriz com infecção puerperal nos fez enxergar a assistência em enfermagem além do exame físico céfalo-podálico, orientações acerca do período de exterogestação e sobre seu bebê; nos fez enxergar a importância da educação em saúde tanto para gestantes, nutrizes e mães, como para os próprios profissionais de saúde em forma de cursos e treinamentos de forma programada e organizada pelas instituições onde todos tivessem estímulos e entendimento sobre o custo-benefício que as práticas em saúde podem agregar a sua vida - nos casos das mães, nutrizes e gestantes - e para o trabalho e melhora da assistência em saúde - no caso dos profissionais. Após a problemática abordada, discorrendo sobre os temas Infecção Puerperal durante a hospitalização e Assistência em Enfermagem para essas nutrizes entendemos que: A infecção puerperal está diretamente ligada às Infecções Relacionadas à Assistência à Saúde (IRAS), visto que suas complicações ocorrem no período gravídico puerperal e é caracterizada como qualquer infecção bacteriana no trato genital feminino durante o processo do parto e do nascimento, são grandes causadores de morbidades e mortalidade, pois são adquiridas durante o período de hospitalização. (DUARTE, 2014). Os números de casos de infecção puerperal são, em sua grande maioria, localizados no sítio de inserção da placenta, no abdome e no períneo resultante da cirurgia e lacerações do trato genital; existindo também alguns fatores de risco para seu agravo, como: diabetes, obesidade e o parto prolongado. (DUARTE, 2014) Sobre os exames complementares, a avaliação laboratorial pode ajudar a identificar o agente etiológico, origem e gravidade do caso. Alguns exemplos de exames úteis são: hemograma, exame sumário de urina, hemocultura, urinocultura e cultura de secreções suspeitas, além de radiografia de tórax e ultrassonografia de partes moles, para investigação de abscessos (UFRJ, 2018). Os fatores de risco associados à Infecção Puerperal antes do parto (período pré-natal) são as infecções maternas, em especial as do trato urinário; comorbidades maternas, como anemia, diabetes, obesidade, imunossupressão; condições sociais desfavoráveis; ausência ou baixa qualidade da assistência pré-natal; infecção cérvicovaginal por Chlamydia trachomatis e Trichomonas vaginalis; vaginoses bacterianas, principalmente por bactérias anaeróbias, como Gardnerella vaginalis, Bacteroides sp., Mobiluncus sp., Mycoplasma hominis, e infecções sexualmente transmissíveis, como Gonorreia, Sífilis e infecção provocada pelo Vírus da Imunodeficiência Humana (HIV) (ANVISA, 2017). Para Leidentz et al (2019) os profissionais de enfermagem que prestam assistência a mulheres no ciclo gravídico puerperal tenham conhecimentos sobre os riscos de infecções puerperais e desse modo estarem atentos para adotar medidas de prevenção e a sua ocorrência refere ainda que “as infecções puerperais causam repercussões negativas à mulher e à sociedade, pois geram custos e comprometem a recuperação da puérpera neste período, retardando o tempo de internamento e postergando o vínculo mãe, bebê e família.” Sendo a Infecção Hospitalar um assunto de tamanha importância e relevância para todos os profissionais de saúde, o Ministério da Saúde informou a partir do dia 23 de Junho de 2008 a Lei n° 11.723/2.008, que destina um dia, sendo ele o dia 15 de Maio, para ser comemorado o Dia Nacional de Controle das Infecções Hospitalares. Neste dia é esperado que todas as instituições de saúde, principalmente os hospitais, façam campanhas e ações educativas a fim de conscientizar sobre os problemas decorrentes das infecções hospitalares e as formas de evitá-los. Na Lei n. 7489/86 que regulamenta o exercício da função para os profissionais da enfermagem é a mesma que ressalta algumas de nossas competências no âmbito de assistência à saúde da mulher durante puerpério no âmbito hospitalar, como: realizar prevenção e controle sistemático de infecção hospitalar e prevenção e controle sistemático de danos que podem ser causados à clientela durante a assistência de enfermagem. Historicamente as práticas em saúde voltadas para as assistência em saúde da mulher veio sendo construída segundo uma ótica biomédica, sendo as práticas realizadas pelos profissionais de saúde decisivas durante os cuidados dessa mulher, o que nos alerta quanto à necessidade em investir em não só em conhecimento científico, mas principalmente em trazer à esse cuidado uma ótica mais humanística. Ser acompanhada em todas as etapas do ciclo gravídico puerperal e ter consciência de seus direitos são um direito da mulher e cabe a nós, enfermeiros, trazer essas orientações. (Goulart, 2010) Neste contexto surge a seguinte questão norteadora: - Quais os cuidados de enfermagem diante a parturiente que desenvolve a infecção puerperal?