INTERFERÊNCIAS DE ANTIDEPRESSIVOS EM EXAMES LABORATORIAIS: UMA REVISÃO SISTEMÁTICA
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Resumo
Os resultados de um estudo recentemente publicado demonstraram que medicamentos antidepressivos podem interferir em um ou mais exames laboratoriais de rotina, fato este considerado preocupante, por serem estes recursos da Medicina Laboratorial imprescindíveis para a tomada de decisão na prática clínica. Em vista disso, objetivou-se apresentar as evidências descritas na literatura biomédica quanto às possíveis interferências ocasionadas pela utilização de fármacos antidepressivos sobre biomarcadores laboratoriais. Para tanto, considerou-se pertinente a realização de uma revisão sistemática de literatura, nas bases de dados PUBMED, LILACS e IBECS, adotando um recorte temporal no período de 2013-2023. Ao total foram selecionados 27 artigos cujos resultados apontam que quase todos os antidepressivos podem alterar a dosagem dos biomarcadores hepáticos, glicídicos e lipídicos. Observou-se maior risco para elevação da dosagem das transaminases hepáticas ALT, AST, ALP, GGT e bilirrubina total; biomarcadores plasmáticos como glicose em jejum e HbA1c estavam aumentados nos estudos analisados. De igual modo, foram observados níveis elevados da TG/HDL-c, enquanto os níveis de HDL-c, colesterol total e LDL-c estavam baixos. As evidências demonstram que marcadores inflamatórios são influenciados pelo tratamento antidepressivo; nomeadamente, foram detectados valores mais elevados de citocinas pró-inflamatórias no soro e plasma de pacientes com depressão que responderam de modo negativo à medicação antidepressiva: IFN-γ, TNF-α, IL-2, IL-4, IL-6, IL-10, IL-13. Por outro lado, verificou-se que pacientes com depressão que apresentaram resposta positiva à terapia antidepressiva, apresentaram níveis mais baixos de PCR, TNFα, IL-1β, IL-6, IL-9, IL10, IL-12, IL-13, IL-15, IL17, IFN-γ, MCP-1 e VEGF.