TCC2022

JUDICIALIZAÇÃO NA EFETIVAÇÃO DOS DIREITOS À SAÚDE: ACESSO A MEDICAMENTOS E TRATAMENTOS DE ALTO CUSTO

Dados do documento

Autor(es)
Juliana Teixeira Nunes; Mariana Silva Lustosa
Orientador(es)
Cinthia Ayres Holanda
Tipo do documento
TCC
Ano de publicação
2022
Data de publicação
07 de novembro de 2022
Nome do curso
Direito
Nome da Unidade
Afya Teresina
Palavras-chave
Saúde pública. Judicialização. Acesso a medicamentos. Alto custo.

Resumo

A judicialização da saúde é meio para reivindicar direitos, quando não obtidos diretamente por meio das políticas públicas existentes, recorrendo-se ao poder judiciário com vistas a assegurar o acesso integral a direitos positivados. Objetivou-se analisar o perfil da judicialização no acesso a medicamentos/tratamentos de alto custo no Piauí. Pesquisa documental, análise quantitativa-descritiva, das jurisprudências do TJ/PI, buscadas nos sítios eletrônicos do TJ/PI. Os dados investigados referiram-se ao perfil dos litigantes, demandas, decisões judiciais e fundamentos jurídicos utilizados. Encontrou-se 22 decisões do TJ/PI para análise. Predominou litigantes do sexo feminino (77%), assistidos por defensor público (68%), beneficiários da justiça gratuita (86%), com doenças autoimunes (18%) neoplásicas (18%) e doenças crônicas. As demandas foram, especialmente, contra o Estado (72%), do tipo Obrigação de fazer c/c Tutela de Urgência (86%). Os tratamentos mais requeridos incluíram terapias biológicas (32%), com custo médio de R$ 37.763,00. As decisões judiciais foram favoráveis aos pleitos autorais (100%). Os principais fundamentos jurídicos foram as Súmulas 02 e 06 do TJ/PI (95%) e a Lei 8.080/90 (82%), que tratam da responsabilidade solidária. Foram frequentes o REsp.1.657.156/RJ [Tema 106] (91%), dispondo sobre pressupostos para concessão de
medicamentos não incorporados ao rol do SUS; os arts. 6º e 196, CRFB/88 (77%), ressaltandoa importância do direito constitucional da saúde; e ADPF45 (9%), fundamentando o mínimo existencial. A atuação do judiciário, frequentemente, substitui o dever do Estado ao conceder o acesso a tratamentos, suprindo necessidades dos hipossuficientes e fazendo jus ao princípio da equidade. Espera-se que esses resultados sirvam de subsídios para adoção de novas políticas públicas ou leis que efetivem os direitos dos usuários do sistema público de saúde.