MANIFESTAÇÕES CUTÂNEAS DA COVID-19: POR QUE É IMPORTANTE IDENTIFICÁ-LAS?
Dados do documento
Resumo
Introdução: A COVID-19, infecção viral causada pelo vírus SARS-CoV-2 e de distribuição pandêmica, possui sintomatologia inespecífica, inclusive, se apresenta sob a forma de manifestações cutâneas como lesões acrais, vesiculares, urticariformes, maculopapulares e livedo e necrose que afetam mãos, pés, dorso e flancos. Estas podem surgir antes, durante ou após o período sintomático e possuem distribuição demográfica diferente. Ainda que diversos dados sobre a doença ainda não foram totalmente elucidados, é possível através de estudos publicados até o momento estabelecer a importância destas visando o manejo da infecção, mesmo que estas sejam menos frequentes. Objetivos: Descrever as lesões cutâneas, a fim de pontuar a importância da sua detecção, a partir da descrição de suas possíveis fisiopatologias, achados que permitam distingui-las de seus diagnósticos diferenciais e correlacionando-as a evolução clínica para determinar prognóstico. Métodos: Foi realizada uma revisão não sistemática da literatura. A partir dos bancos de dados: PubMed, Google Acadêmico, dados da Organização Mundial de Saúde e artigos do Journal of the American Medical Association, foram selecionados artigos produzidos entre janeiro e outubro de 2020 que a partir do resumo, demonstraram maior relevância para conclusão dos objetivos do estudo e maior nível de evidência científica. Discussão: As lesões cutâneas podem ser divididas de acordo com sua patogênese mais provável sendo corroboradas pelos seus achados histopatológicos. Lesões acrais, maculopapulares, urticariformes e vesiculares parecem se relacionar a um processo inflamatório, enquanto que o livedo e a necrose, de posterior estado de hipercoagulabilidade. Esses mecanismos fisiopatológicos correspondem ao sistêmico e sua compreensão permite predizer prognóstico e até mesmo auxiliar na conduta terapêutica. Entretanto, são lesões inespecíficas e por isso, podem ser confundidas com aquelas de outras patologias. Mesmo que possuam diversos diagnósticos diferenciais, sua detecção permite antecipar a suspeita e diagnóstico naqueles quadros de lesão cutânea isolada, a partir da correlação entre seu surgimento e o início dos sintomas. Conclusão: Foi concluído que é importante identificar essas afecções, a fim de evitar contágio da doença, estabelecer diagnóstico nos casos assintomáticos e diferenciá-las entre os seus diagnósticos diferenciais. Além de constatar o processo patogênico sistêmico e por consequência, predizer prognóstico desses pacientes e indicar melhor manejo da infecção.